Ata do Copom – Jan/25

O Banco Central do Brasil divulgou, nesta terça-feira (04), a Ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) ocorrida nos dias 28 e 29 de janeiro. Na ocasião, o colegiado decidiu em unanimidade pela elevação da taxa Selic em 1,00 p.p., para 13,25% a.a.., conforme havia antecipado na reunião ocorrida em dezembro.

Em relação ao contexto externo, o Comitê avaliou que o cenário global permanece desafiador, com relevantes incertezas econômicas e geopolíticas, sobretudo acerca do ritmo de desinflação e desaceleração da atividade econômica dos Estados Unidos, enfatizando as dúvidas a respeito da política econômica do país em diversos âmbitos, tais como introdução de tarifas à importação e restrição na oferta de trabalho, que podem impactar negativamente as condições financeiras e os fluxos de capitais para economias emergentes.

No que tange ao cenário doméstico, o Copom argumentou que o conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho tem surpreendido e permanece demonstrando dinamismo, com destaque para o ritmo de crescimento do consumo das famílias e a formação bruta de capital fixo indicando uma intensa demanda interna, apesar da política monetária contracionista. Contudo, o Comitê salientou que há elementos que sugerem uma desaceleração na atividade futura.

O Copom avaliou que o cenário de inflação de curto prazo segue adverso, com maior pressão inflacionária, demandando uma política monetária mais contracionista. As expectativas de inflação elevaram-se em todos os prazos, indicando desancoragem adicional, tornando a convergência da inflação à meta mais desafiadora. Para o comitê, as projeções de inflação situam-se em 5,2% para o fechamento de 2025 e 4,0% para o terceiro trimestre de 2026.

O Copom destacou entre os riscos de alta a desancoragem das expectativas de inflação, inclusive para prazos longos; o grau de sobreaquecimento da economia, em particular, seus efeitos sobre a inflação de serviços, com o hiato do produto positivo; e uma conjunção de políticas econômicas externa e interna com impacto primordial através da taxa de câmbio, destacando a possibilidade de que a consecução de determinadas políticas nos Estados Unidos pressione os preços de ativos domésticos.

O comitê alterou suas percepções a respeito dos riscos de baixa, afirmando que uma desaceleração da atividade econômica global parece menos provável, considerando os ciclos de política monetária em curso em várias economias. Entretanto, apontou a possibilidade de uma desaceleração doméstica mais forte do que a esperada, que poderia gerar impactos desinflacionários ao longo do tempo, ainda que o cenário-base já contemple uma desaceleração, mas não abrupta; e a política comercial dos Estados Unidos, que introduz riscos à inflação doméstica.

Por fim, o colegiado resolveu elevar a taxa Selic em 1,00 p.p., ressaltando que a indicação anterior de duas novas altas em igual magnitude se mostrou apropriada e antevendo a segunda elevação da taxa Selic em 1,00 p.p. na próxima reunião, caso se confirme o cenário esperado. O Copom afirmou ainda que a magnitude total do ciclo de aperto monetário será ditada pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta e dependerá da dinâmica da inflação, das projeções e das expectativas de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos.

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