Overview – 23.05.25

PRINCIPAIS DESTAQUES
IBC-Br sobe 0,8% em março;
Governo anuncia congelamento de R$ 31,3 bi no orçamento e aumento no IOF;
Governo revoga parte de decreto que subiu IOF após repercussão negativa;
Trump anuncia tarifa de 50% sobre produtos da União Europeia a partir de junho;
Inflação da zona do euro mantém-se em 2,2% em abril;
BC da China reduz principais taxas de juros em 0,1 p.p.

UM OLHO NO BRASIL
IBC-Br sobe 0,8% em março. Segundo dados divulgados nesta segunda-feira (19), o IBC-Br, considerado a prévia do PIB, registrou alta de 0,8% em março e encerrou o primeiro trimestre com expansão de 1,3%. O dado veio acima das projeções dos analistas, que esperava uma alta mensal de 0,3%. Em relação ao mesmo mês de 2024, o indicador avançou 3,5%. Já no acumulado em 12 meses, a alta foi de 4,2%. Em março, a indústria destacou-se ao expandir 2,1%, seguido por agropecuária, que subiu 1%. Já os indicadores de serviço, impostos e ex-agropecuária avançaram respectivos 0,3%, 0,2% e 0,7%.

Governo anuncia congelamento de R$ 31,3 bi no orçamento e aumento no IOF. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, anunciaram nesta quinta-feira (22), um congelamento de R$ 31,3 bilhões no orçamento de 2025 com o objetivo de cumprir o arcabouço fiscal. De acordo com o documento, o bloqueio foi de R$ 10,6 bilhões, já o contingenciamento foi na ordem de R$ 20,7 bilhões. O detalhamento do bloqueio por órgão será divulgado na próxima semana, no Decreto de Programação Orçamentária e Financeira. Após a publicação do decreto, os órgãos terão cinco dias úteis para indicar as programações a serem congeladas. Segundo a equipe econômica, o corte foi necessário devido ao aumento nas despesas com benefícios previdenciários, que avançaram R$ 16,7 bilhões. Para 2025, o governo tem a meta de zerar o déficit primário, mas conta com uma margem de tolerância que admite um resultado negativo de até R$ 31 bilhões, equivalente a 0,25% do PIB. A projeção das receitas primárias para 2025 foi reduzida em R$ 31,3 bilhões, chegando a R$ 2,899 trilhões. Em contrapartida, a estimativa das receitas líquidas teve alta de R$ 25,8 bilhões, totalizando R$ 2,318 trilhões.

Governo revoga parte de decreto que subiu IOF após repercussão negativa. O Ministério da Fazenda revogou nesta quinta-feira (22) parte do decreto, divulgado mais cedo no mesmo dia, que aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) entre as medidas para cumprir as regras fiscais. A pasta estimava uma arrecadação de R$ 20,5 bilhões aos cofres públicos em 2025 e R$ 41 bilhões em 2026. Entretanto não se sabe agora quanto será. A medida foi parte do ajuste nas contas anunciado pela equipe econômica, que prevê ainda congelamento de R$ 31,3 bilhões em despesas programadas para 2025. Um dos pontos que foi revogado é o item que passou a cobrar o imposto em remessas de fundos de investimentos para o exterior. A medida foi mal-recebida pelo mercado uma vez que diversos fundos de investimentos diversificam suas aplicações ao enviar recursos para o exterior. Ao revogar parte do decreto, a Fazenda afirmou que, em relação ao IOF sobre remessas ao exterior por parte de pessoas físicas, será incluído no decreto o esclarecimento que remessas destinadas a Investimentos continuarão sujeitas à alíquota atualmente vigente de 1,1%, sem alterações.

Brasil tem fluxo cambial negativo de US$ 2,2 bi até 16 de maio, diz BC. Segundo dados preliminares publicados nesta quarta-feira (21) pelo Banco Central, o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$ 2,226 bilhões até o dia 16 de maio. O movimento foi puxado pela via financeira, que apresentou saídas líquidas de US$ 4,375 bilhões. Pelo canal comercial, o saldo de maio até o dia 16 foi positivo em US$ 2,150 bilhões. Na semana compreendida entre os dias 12 e 16 de maio, o fluxo cambial total foi negativo em US$ 3,301 bilhões. No acumulado do ano até 16 de maio, o Brasil registra fluxo cambial total negativo de US$ 11,133 bilhões.

OUTRO NO MUNDO
Trump anuncia tarifa de 50% sobre produtos da União Europeia a partir de junho. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (23) uma tarifa de 50% sobre todos os produtos importados da União Europeia (UE), com início previsto para 1º de junho. Por meio do Truth Social, o presidente norte-americano disse que as negociações com a União Europeia não estão avançando. Segundo ele, a medida é uma resposta às barreiras comerciais e práticas consideradas desleais adotadas pelo bloco europeu. Trump criticou a UE, afirmando que o bloco “foi formado com o principal propósito de tirar vantagem dos EUA no comércio, e que tem sido muito difícil de lidar”. O presidente citou como exemplos as “poderosas barreiras comerciais”, os impostos sobre valor agregado, as “penalidades corporativas ridículas”, além de manipulações monetárias e processos judiciais “injustos e injustificados” contra empresas norte-americanas.

PMI composto dos EUA sobe a 52,1 em maio. De acordo com dados preliminares publicados nesta quinta-feira (22) pela S&P Global, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto dos Estados Unidos subiu de 50,6 em abril para 52,1 em maio. O resultado ficou acima da expectativa de analistas, que previam alta do a 51,1 neste mês. No setor de serviços, o PMI do país avançou de 50,8 para 52,3 no mesmo período, acima da previsão de avanço a 51,5. No setor industrial, o PMI subiu para 52,3 em maio após 50,2 em abril, acima da expectativa de expansão a 50,7.

Inflação da zona do euro mantém-se em 2,2% em abril. Segundo dados divulgados pela Eurostat nesta segunda-feira (19), o índice de preços ao consumidor da zona do euro subiu a uma taxa anualizada de 2,2% em abril, repetindo a taxa registrada em março. No mês, a inflação subiu 0,6% em abril ante o mês anterior. Já o núcleo do indicador, que exclui preços considerados mais voláteis, subiu 1,0% em abril na comparação com o mês anterior e 2,7% no acumulado em 12 meses, desacelerando após avançar 2,4% até março.

Ata do BCE expõe divergências sobre juros em meio a tensões comerciais. O Banco Central Europeu (BCE) divulgou nesta quinta-feira (22) a ata referente à reunião de política monetária realizada nos dias 16 e 17 de abril. Na ocasião, os dirigentes do BCE decidiram cortar as taxas de juros em 25 p.p., o sétimo corte consecutivo. Apesar do consenso na decisão final, os dirigentes apresentaram posicionamentos distintos sobre a trajetória da política monetária. “Alguns membros indicaram que, antes do anúncio de tarifas dos EUA em 2 de abril, consideravam apropriada uma pausa nos cortes de taxa na reunião atual, preferindo aguardar a próxima rodada de projeções para maior clareza sobre as perspectivas de inflação de médio prazo”, afirma o documento. Em contrapartida, alguns membros cogitaram um corte de maior magnitude, de 50 p.p., argumentando que “os riscos descendentes para o crescimento haviam aumentado”, o que justificaria uma resposta mais firme do BCE. Outros pontos destacados no documento foram a observação da valorização recente do euro e a publicação de dados de inflação mais positivos. O documento também aponta que “a grande escalada nas tensões comerciais globais e incertezas associadas provavelmente reduziriam o crescimento da zona euro ao prejudicar as exportações”. Embora grande parte da tensão comercial tenha diminuído desde a reunião de abril, a incerteza generalizada continua a pesar sobre a confiança, mantendo as apostas firmes em outro corte de juros pelo BCE em 5 de junho.

Taxa de desemprego juvenil nas cidades chinesas cai em abril. De acordo com dados divulgados pelo Departamento Nacional de Estatísticas, a taxa de desemprego para indivíduos com idade entre 16 e 24 anos caiu de 16,5% em março para 15,8% em abril. A diminuição na taxa de desemprego reflete uma mudança positiva no mercado de trabalho para jovens nas áreas urbanas da China. No que se refere à taxa de desemprego geral do país, houve um recuo para 5,1% em abril, abaixo dos 5,2% registrados em março, atingindo o menor índice desde dezembro de 2024.

BC da China reduz principais taxas de juros em 0,1 p.p. O Banco Popular da China (PBOC) anunciou nesta terça-feira (20) que resolveu reduzir as taxas básicas de juros em 0,1 ponto percentual. Com a decisão, a LPR (taxa básica de empréstimo) para um ano caiu para 3%, enquanto a LPR para cinco anos caiu para 3,5%. Os cortes pelo banco central da China já eram esperados e buscam estimular o consumo e o crescimento dos empréstimos ante sinais de desaceleração da economia. A redução dos juros anunciada é a primeira desde outubro do ano passado e faz parte de um pacote de medidas anunciadas pelo governo após as negociações entre China e EUA em Genebra no início deste mês, que levaram a uma redução nas tensões da guerra comercial.

Em abril, produção industrial da China sobe acima do esperado enquanto varejo decepciona. Conforme dados publicados pelo Escritório Nacional de Estatísticas nesta segunda-feira (19), a produção industrial da China cresceu 6,1% em abril em relação ao ano anterior, desacelerando em relação aos 7,7% de março, mas superando a previsão dos analistas de aumento de 5,5%. Apesar da desaceleração, a produção industrial do país mostrou resiliência, um sinal de que as medidas de apoio do governo podem ter amortecido o impacto de uma guerra comercial com os Estados Unidos, sustentada por exportadores que redirecionaram remessas a países que compraram mais materiais da China em meio a uma reordenação do comércio global. Contudo, as vendas no varejo aumentaram 5,1% em abril sobre o ano anterior, abaixo do aumento de 5,9% em março e da previsão de expansão de 5,5%.

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