Ata do Copom – 271ª Reunião

O Banco Central do Brasil divulgou, nesta terça-feira (24), a Ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) ocorrida nos dias 17 e 18 de junho. No encontro, o colegiado decidiu, em unanimidade, pela elevação da taxa Selic em 0,25 p.p., para 15,00% a.a, levando a taxa básica de juros ao maior patamar desde 2006.

Acerca da conjuntura externa, o Comitê avaliou que o cenário global se mantém adverso e particularmente incerto, apesar de terem ocorrido alguns desenvolvimentos que resultariam em uma melhora no cenário internacional, como a reversão parcial das tarifas. O Comitê reiterou as incertezas em relação ao contexto econômico dos Estados Unidos, suas políticas comerciais e fiscais, bem como os seus efeitos. Além disso, ponderou que o conflito geopolítico no Oriente Médio e suas possíveis consequências sobre o mercado de petróleo também adicionam incerteza sobre o cenário prospectivo. Entretanto, o Copom afirmou que é cedo para definir a magnitude do impacto do cenário externo sobre a conjuntura doméstica.

Em relação ao cenário interno, o Copom argumentou que o conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho tem demonstrado dinamismo, mas que se observa certa moderação no crescimento, ainda que de forma bastante gradual. O colegiado destacou que o mercado de trabalho tem sido um fator que tem contribuído para o dinamismo da atividade, dando suporte ao consumo e à renda.

O Comitê também se debruçou acerca da política fiscal, enfatizando que a dimensão estrutural do orçamento fiscal e a redução, ao longo do tempo, dos gastos tributários têm potencial de afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e impactar o prêmio da curva de juros. Em seu debate sobre o assunto, o colegiado evidenciou a necessidade da condução das políticas fiscal e monetária de forma harmoniosa.

No que se refere à inflação de curto prazo, o Copom avaliou que o cenário segue adverso, mas que recentemente apresentou surpresas baixistas, como a perda de força dos preços de bens industrializados e alimentos. Entretanto, a inflação de serviços segue pressionada. As expectativas de inflação mantiveram-se acima da meta em todos os horizontes, tornando o cenário de inflação mais desafiador, exigindo uma restrição monetária maior e por mais tempo. Para o Comitê, as projeções de inflação situam-se em 4,9% para o fechamento de 2025 e 3,6% para o terceiro trimestre de 2026.

O Copom destacou, entre os riscos de alta para o cenário inflacionário, a desancoragem das expectativas de inflação por um período mais prolongado, uma maior resiliência da inflação de serviços do que a projetada, em função de um hiato do produto mais positivo, e uma conjunção de políticas econômicas, externas e internas, que tenha impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.

Em suas percepções a respeito dos riscos de baixa, o Comitê apontou uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação, uma desaceleração global mais intensa decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza, bem como uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

Na decisão, o Copom resolveu elevar a taxa Selic em 0,25 p.p. argumentando que a economia ainda apresenta resiliência, o que dificulta a convergência da inflação à meta e requer maior aperto monetário. O colegiado afirmou que antecipa uma interrupção no ciclo de elevação de juros para avaliar os impactos acumulados do ajuste já realizado, ainda a serem observados. Por fim, reforçou que seguirá atento e poderá retomar os ajustes, se necessário.

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