Overview – 14.11.25

PRINCIPAIS DESTAQUES

  • IPCA desacelera em outubro e sobe 0,09% no mês;
  • BC sinaliza maior cautela e mantém avaliação de juros elevados por mais tempo;
  • Serviços registram alta de 0,6% e seguem sustentando a atividade;
  • Crescimento da Zona do Euro é revisto para 1,4%;
  • EUA encerram paralisação federal após novo acordo de financiamento;
  • Indústria chinesa perde fôlego em outubro e varejo mostra leve melhora.

UM OLHO NO BRASIL
IPCA desacelera em outubro e sobe 0,09% no mês. O IPCA avançou 0,09% em outubro, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (11). O resultado veio bem abaixo dos 0,48% registrados em setembro e marcou a menor variação para o mês desde 1998. No acumulado, a inflação atingiu 3,73% no ano e 4,68% em 12 meses, ficando abaixo da projeção do mercado de 0,16%. A desaceleração foi influenciada principalmente pela queda de 2,39% na energia elétrica residencial, que reduziu o grupo Habitação e compensou recuos em Artigos de residência (-0,34%) e Comunicação (-0,16%). Entre as altas, Saúde e cuidados pessoais cresceu 0,41%, impulsionado por itens de higiene (0,57%) e planos de saúde (0,50%). Vestuário avançou 0,51%. Transportes registrou leve alta de 0,11%, com aumento das passagens aéreas (4,48%) e dos combustíveis (0,32%). Alimentação e bebidas permaneceram praticamente estável, com 0,01%.

BC sinaliza maior cautela e mantém avaliação de juros elevados por mais tempo. O Banco Central reforçou, na ata divulgada nesta terça-feira (11), que o cenário inflacionário segue desafiador e requer a manutenção da Selic em 15% ao ano por um período prolongado. O documento destacou que o ambiente externo permanece incerto, sobretudo diante da condução da política econômica nos Estados Unidos, e que, no plano doméstico, a atividade mostra moderação gradual enquanto o mercado de trabalho segue resiliente. A inflação corrente apresentou arrefecimento, mas continua acima da meta, e as expectativas para 2025 e 2026 seguem desancoradas, aumentando o custo da desinflação. O Comitê ressaltou que uma política fiscal compatível é essencial para a ancoragem das expectativas e que sinais de fragilidade podem elevar os prêmios exigidos pelo mercado. A ata reiterou que o balanço de riscos segue desfavorável e exige vigilância, afirmando que a estratégia atual é suficiente para assegurar a convergência da inflação, mas que o Banco Central não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue necessário.

Serviços registram alta de 0,6% e seguem sustentando a atividade. O setor de serviços cresceu 0,6% em setembro na comparação mensal, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (13), marcando o oitavo mês consecutivo de expansão e mantendo o índice em nível recorde, acima do patamar pré-pandemia. Na comparação anual, o setor também apresentou avanço. O resultado foi impulsionado principalmente pelo transporte de cargas, apoiado pelo aumento da demanda logística e pelo escoamento da produção, além de alta em informação e comunicação e de leve crescimento nas atividades turísticas. Por outro lado, serviços profissionais, administrativos e atividades voltadas às famílias registraram retração no mês. O desempenho confirma a resiliência do setor de serviços ao longo de 2025 e reforça sua contribuição para a estabilidade da atividade econômica em um ambiente de juros ainda elevados.

Varejo recua 0,3% em setembro e evidencia acomodação do consumo. As vendas do comércio varejista caíram 0,3% em setembro na comparação mensal, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (13), sinalizando perda de ritmo após oscilações ao longo do terceiro trimestre. Na comparação anual, houve crescimento moderado, influenciado por base elevada e condições financeiras mais restritivas. A maior parte dos segmentos registrou queda, especialmente itens de menor essencialidade, mais sensíveis ao ambiente de juros altos, enquanto setores ligados à saúde e ao consumo básico apresentaram desempenho superior e amorteceram parte da retração. No varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, foi registrado leve avanço de 0,2% no mês, embora o segmento de veículos e motos tenha recuado. O conjunto dos dados aponta acomodação do consumo no segundo semestre, em linha com a política monetária contracionista e com a desaceleração gradual da atividade econômica.

Fazenda revisa projeções e indica atividade mais fraca e inflação menor em 2025. O Ministério da Fazenda divulgou nesta quinta-feira (13) o Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica, atualizando suas estimativas para o desempenho da economia. A projeção para o PIB de 2025 passou a indicar crescimento de 2,2%, ligeiramente abaixo da previsão anterior, refletindo o impacto persistente da política monetária restritiva sobre a demanda e sobre o ritmo de expansão do terceiro trimestre. A pasta destacou que o nível elevado dos juros reais ainda limita a atividade, embora medidas como o pagamento de precatórios e a expansão do crédito consignado tenham suavizado parte dessa desaceleração. Para 2026, a estimativa de avanço de 2,4% foi mantida, com menor fôlego do setor agropecuário sendo compensado por maior dinamismo previsto na indústria e nos serviços. Na inflação, a projeção para o IPCA de 2025 foi reduzida para 4,6%, incorporando câmbio mais favorável, menor pressão no atacado e maior oferta global de bens em meio ao ambiente de tensões comerciais. Para 2026, a estimativa recuou para 3,5%, movimento que aproxima o índice da meta no horizonte relevante de política monetária.

OUTRO NO MUNDO
Crescimento da Zona do Euro é revisto para 1,4%. O Eurostat revisou ligeiramente em alta o crescimento da zona do euro no terceiro trimestre de 2025, de 1,3% para 1,4% na comparação anual, enquanto o Produto Interno Bruto da União Europeia avançou 1,6% na mesma base de comparação. Na leitura em cadeia, o PIB aumentou 0,2% na área do euro e 0,3% no conjunto da UE, após altas de 0,1% e 0,2% no trimestre anterior. As revisões incorporaram novos dados de Estados-membros que ainda não haviam divulgado informações na estimativa preliminar, incluindo Portugal, cujo PIB cresceu 2,4% em 12 meses e 0,8% em relação ao trimestre anterior, e Chipre, que registrou expansão de 3,6% na comparação anual e 0,9% na variação trimestral. Irlanda e Espanha também continuaram com resultados acima da média da zona do euro, em um quadro de crescimento moderado na região.

EUA encerram paralisação federal após novo acordo de financiamento.
O governo dos Estados Unidos retomou suas operações nesta quarta-feira (12), após 43 dias de paralisação federal causada pela falta de aprovação das leis de financiamento. O Congresso aprovou um acordo que estende temporariamente o financiamento até 30 de janeiro de 2026, permitindo a reabertura dos órgãos públicos, o pagamento retroativo dos salários dos servidores e a normalização gradual de serviços essenciais. A paralisação prolongada afetou centenas de milhares de funcionários federais, provocou atrasos no transporte aéreo e comprometeu a oferta de programas sociais, além de intensificar tensões políticas em Washington. Para os mercados, o fim do shutdown reduz a incerteza de curto prazo e facilita a leitura sobre a condução da política fiscal norte-americana, embora o país ainda precise definir uma solução permanente no início de 2026 para evitar nova interrupção.

Indústria chinesa perde fôlego em outubro e varejo mostra leve melhora.
A produção industrial da China cresceu 4,9% em outubro na comparação anual, abaixo do avanço de 6,5% registrado em setembro, segundo o National Bureau of Statistics. No acumulado de janeiro a outubro, o investimento em ativos fixos recuou 1,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, refletindo maior cautela das empresas diante do ambiente de incerteza e da pressão sobre os preços industriais. As vendas no varejo aumentaram 2,9% em outubro na comparação anual, mostrando leve melhora, ainda que permaneçam em ritmo moderado em relação aos primeiros meses de 2025.

Desemprego urbano da China recua para 5,1% em outubro. A taxa de desemprego urbano da China caiu para 5,1% em outubro, após 5,2% em setembro, marcando o segundo mês consecutivo de redução, segundo dados divulgados pelo Departamento Nacional de Estatísticas nesta sexta-feira (14). O resultado indica relativa estabilidade no mercado de trabalho apesar do ambiente externo adverso e das pressões sobre a atividade doméstica. O desemprego entre trabalhadores migrantes recuou para 4,5%, enquanto a taxa média urbana dos primeiros dez meses do ano ficou em 5,2%, abaixo da meta oficial de cerca de 5,5% estabelecida para 2025.

EUA fecham acordos comerciais com países da América Latina. Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (13), novos acordos-quadro de comércio com Argentina, Equador, El Salvador e Guatemala, estabelecendo estruturas de cooperação que ampliam o acesso de empresas americanas a esses mercados e preveem reduções tarifárias específicas em produtos que não competem com a produção doméstica dos EUA. Em contrapartida, os países latino-americanos se comprometeram a simplificar procedimentos de exportação, revisar tributos aplicados a serviços digitais e reforçar a proteção à propriedade intelectual. Os entendimentos ainda dependem da definição de detalhes operacionais nas próximas etapas de negociação e integram a estratégia norte-americana de fortalecer cadeias regionais de suprimentos e reduzir vulnerabilidades externas. Para a região, os acordos tendem a aprofundar a integração comercial e estimular novos fluxos de investimento.

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