IPCA-15 sobe 0,62% em maio e acumula alta de 4,64% em 12 meses
Conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (27), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), indicador que antecipa a inflação oficial, registrou alta de 0,62% em maio de 2026, desacelerando em relação ao resultado de abril, de 0,89%. No acumulado do ano, o índice avançou 3,02% e, em 12 meses, acumulou alta de 4,64%, acima dos 4,37% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.
Na abertura por grupos, Alimentação e bebidas exerceu o maior impacto sobre o índice, com alta de 1,38% e contribuição de 0,30 p.p. Em seguida, Habitação avançou 1,03%, com impacto de 0,15 p.p., e Saúde e cuidados pessoais registrou alta de 1,05%, contribuindo com 0,14 p.p. Esses três grupos responderam pela maior parte da variação do IPCA-15 em maio, indicando que, apesar da desaceleração do índice cheio em relação a abril, as pressões permaneceram concentradas em itens de peso no orçamento das famílias.
No grupo Alimentação e bebidas, a alimentação no domicílio seguiu em patamar elevado, mas apresentou leve desaceleração, passando de 1,77% em abril para 1,73% em maio, contribuindo para a redução do ritmo de alta do grupo entre os dois meses. Entre os itens que mais pressionaram o resultado, destacaram-se batata-inglesa, tomate, leite longa vida e carnes. Em sentido oposto, maçã e café moído registraram recuo no período. A alimentação fora do domicílio também perdeu força, passando de 0,70% em abril para 0,51% em maio, influenciada pela menor variação de refeição e lanche.
No grupo Habitação, a alta de 1,03% refletiu principalmente o comportamento da energia elétrica residencial, que avançou 2,16% e representou o principal impacto individual sobre o índice do mês. O resultado foi influenciado pela entrada em vigor da bandeira tarifária amarela, com cobrança adicional sobre o consumo de energia, além de reajustes tarifários em algumas áreas pesquisadas.
Em Saúde e cuidados pessoais, a alta de 1,05% foi influenciada pelos produtos de higiene pessoal, pelos produtos farmacêuticos e pelos planos de saúde. No caso dos medicamentos, o resultado refletiu a autorização de reajuste de até 3,81% nos preços, vigente desde o início de abril, fator que ainda contribuiu para a pressão do grupo no mês.
Por outro lado, Transportes registrou queda de 0,33%, ajudando a conter uma alta mais intensa do índice geral. O principal alívio veio dos combustíveis, que recuaram 1,47% em maio, após alta de 6,06% em abril, com quedas no etanol, no óleo diesel e na gasolina. Em sentido oposto, as passagens aéreas avançaram 3,25%, após recuo expressivo no mês anterior, mas sem impedir a contribuição negativa do grupo no resultado agregado.
Em relação às expectativas, o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (25) elevou a projeção para o IPCA de 2026 para 5,04%, patamar acima do intervalo de tolerância da meta, mantendo o tema inflacionário no centro das atenções para a condução da política monetária.