Analysis – Junho/2026

RESUMO

No Brasil, a economia apresentou bom desempenho no primeiro trimestre de 2026, mas os dados mais recentes indicaram perda de ritmo na passagem para o segundo trimestre. A atividade segue apoiada pelo mercado de trabalho resiliente, embora a confiança do consumidor tenha recuado. No cenário externo, a economia americana manteve expansão moderada, com mercado de trabalho ainda forte. Na zona do euro, a inflação acelerou enquanto a atividade entrou em contração e a China seguiu em expansão, mas com sinais mistos e incertezas sobre demanda externa e setor imobiliário.

NO BRASIL

Os indicadores de atividade econômica mostraram desempenho positivo no primeiro trimestre de 2026, embora com sinais de moderação na passagem para o segundo trimestre. Com um resultado acima das expectativas, o PIB avançou 1,1% frente ao último trimestre de 2025. O crescimento foi observado nos principais setores da economia, com alta da agropecuária, da indústria e dos serviços, além de avanço do consumo das famílias e dos investimentos, indicando sustentação tanto pelo lado da oferta quanto da demanda. Na mesma direção, o IBC-Br apontou crescimento de 1,3% no primeiro trimestre, mas indicou recuo em março, sinalizando perda de ritmo ao fim do período. Os indicadores de maio reforçaram a tendência de moderação da atividade, com o PMI Industrial retornando ao campo de contração. Esse movimento, aliado à relativa estabilidade do PMI de Serviços, levou o PMI Composto a ficar abaixo da linha de 50 pontos, indicando perda de fôlego da economia no mês.

O mercado de trabalho, por sua vez, seguiu como um dos principais pontos de sustentação da economia brasileira. Segundo a PNAD Contínua, a taxa de desocupação ficou em 5,8% no trimestre móvel encerrado em abril, abaixo dos 6,1% observados no trimestre encerrado em março e dos 6,6% registrados no mesmo período de 2025. O resultado representa o menor nível para o período desde o início da série histórica, em 2012, indicando que, apesar da perda de ritmo observada em alguns indicadores de atividade, o emprego segue em patamar favorável.

Já o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuou 0,3 ponto em maio, para 88,8 pontos, interrompendo a sequência de duas altas consecutivas. O movimento foi influenciado principalmente pela piora das expectativas para os próximos meses, embora a percepção sobre a situação atual tenha permanecido em patamar favorável. Apesar da queda na margem, a média móvel trimestral avançou 0,9 ponto, indicando que a confiança ainda preserva alguma recuperação no horizonte mais amplo. Em conjunto, os dados sugerem maior cautela dos consumidores, especialmente entre as famílias de menor renda, em meio ao ambiente de juros elevados e maior sensibilidade em relação à situação financeira futura.

No campo inflacionário, o IPCA avançou 0,58% em maio, desacelerando em relação à alta de 0,67% observada em abril. Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses alta de 4,72%, permanecendo acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. O principal impacto veio do grupo Alimentação e bebidas, que subiu 1,33% e respondeu por 0,29 p.p. do índice do mês, influenciado principalmente pela alta da alimentação no domicílio. Na sequência, Habitação avançou 1,22%, com impacto de 0,18 p.p., refletindo sobretudo a alta da energia elétrica residencial. Também houve pressão em Saúde e cuidados pessoais, com alta de 0,90% e impacto de 0,12 p.p., puxada pelos artigos de higiene pessoal e pelos planos de saúde. Por outro lado, Transportes foi o único grupo em queda, com recuo de 0,46%, influenciado principalmente pela queda nos preços dos combustíveis, que recuaram 1,95% no mês, com destaque para o etanol (-6,20%), o óleo diesel (-2,34%) e a gasolina (-1,46%).

No campo da política monetária, a ata do Copom divulgada em 05 de maio, referente a reunião dos dias 28 e 29, quando a Selic foi reduzida de 14,75% para 14,50%, reforçou o tom cauteloso do Banco Central. O Comitê avaliou que a decisão é compatível com o processo de convergência da inflação à meta, mas destacou que o cenário ainda exige prudência, diante da inflação corrente mais pressionada, das expectativas ainda acima da meta e do aumento das incertezas externas. Além disso, o documento indicou que os próximos passos da política monetária dependerão da evolução dos dados, especialmente da atividade econômica, do mercado de trabalho, das expectativas inflacionárias e do cenário internacional.

No âmbito fiscal, as contas públicas registraram resultado primário positivo em abril, mas o quadro de endividamento seguiu pressionado. O setor público consolidado apresentou superávit primário de R$ 24,6 bilhões, acima das expectativas de mercado, impulsionado principalmente pelo resultado favorável do Governo Central. Apesar disso, a Dívida Bruta do Governo Geral avançou para 80,4% do PIB, ante 80,0% em março, enquanto a Dívida Líquida do Setor Público subiu de 66,8% para 67,4% do PIB. O movimento reforça que, embora o resultado mensal tenha sido positivo, a trajetória fiscal permanece desafiadora, mantendo elevada a atenção do mercado sobre a sustentabilidade das contas públicas.

Apesar do ambiente marcado por incertezas macroeconômicas, os fluxos de capital estrangeiro seguiram relevantes. Em abril, o Investimento Direto no País (IDP) somou US$ 8,9 bilhões, acima dos US$ 6,0 bilhões registrados em março e dos US$ 5,4 bilhões observados em abril de 2025. No acumulado de 2026, a entrada líquida de IDP alcançou US$ 29,9 bilhões, enquanto em 12 meses totalizou US$ 79,2 bilhões, equivalente a 3,28% do PIB, sinalizando a manutenção de fluxo externo relevante para a economia brasileira.

No mercado acionário, por outro lado, o investidor estrangeiro apresentou comportamento diferente no mês de maio, com saída líquida de R$ 14,9 bilhões da B3, a maior retirada mensal desde 2022. Apesar da saída no mês, o saldo acumulado em 2026 permanece positivo em R$ 41,6 bilhões.

NO MUNDO

Nos Estados Unidos, o mercado de trabalho surpreendeu positivamente em maio, com a criação de 172 mil vagas fora do setor agrícola, valor que superou as expectativas de mercado, enquanto a taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3%. No campo inflacionário, o índice de preços ao consumidor (CPI) avançou 0,5% em maio, em linha com o esperado, acelerando em relação à alta de 0,2% observada em abril. Apesar de os dados seguirem indicando resiliência da economia, eles continuam sendo acompanhados com cautela pelo Federal Reserve, diante dos sinais de moderação observados em parte da atividade. Nesse contexto, os PMIs apresentaram desempenho misto. O setor industrial avançou de 54,5 para 55,1 pontos, atingindo o maior nível em quatro anos, enquanto o setor de serviços perdeu força, passando de 51,0 para 50,7 pontos. Com isso, o PMI Composto permaneceu em 51,5 pontos na leitura preliminar, sinalizando continuidade da expansão, mas em ritmo mais moderado.

Nesse contexto, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), através de ata divulgada no dia 20 de maio, reforçou postura cautelosa diante da inflação ainda resistente no país. O documento retirou a sinalização de cortes nas próximas reuniões e indicou comunicação mais neutra e dependente dos dados. O Comitê também destacou que a atividade econômica segue resiliente, embora o mercado de trabalho apresente sinais de moderação. Além disso, as tensões no Oriente Médio e seus possíveis impactos sobre petróleo, energia e cadeias de suprimentos, ampliaram as preocupações inflacionárias, o que contribui para a manutenção de uma política monetária restritiva por mais tempo.

Na zona do euro, a inflação voltou a mostrar aceleração em maio, reforçando a cautela em relação à condução da política monetária pelo Banco Central Europeu. A inflação anual avançou de 3,0% em abril para 3,2% em maio, permanecendo acima da meta de 2%. O movimento foi influenciado principalmente pelos preços de energia e pela inflação de serviços, enquanto o núcleo também voltou a acelerar, indicando pressões mais disseminadas sobre os preços. Já os dados de atividade apontaram enfraquecimento mais claro da economia do bloco, com o PMI Composto recuando de 48,8 para 47,5 pontos.

Nesse contexto, o BCE manteve postura cautelosa diante da combinação entre inflação acima da meta e perda de fôlego da atividade econômica. A aceleração dos preços reforçou os argumentos a favor de uma política monetária mais restritiva, enquanto a piora dos PMIs ampliou os riscos para o crescimento da região. O cenário segue desafiador para a autoridade monetária, que continua avaliando com cautela os próximos passos, observando a evolução dos dados de inflação, atividade e mercado de trabalho.

Na China, os dados de maio indicaram continuidade da expansão da atividade, embora com sinais mistos entre os indicadores. O PMI industrial privado avançou pelo sexto mês consecutivo, permanecendo acima da linha de 50 pontos e sinalizando crescimento da manufatura, sustentado pela produção e pelos novos pedidos. O setor de serviços também mostrou desempenho favorável, apoiado pela melhora dos novos negócios e pela recuperação gradual da demanda. No campo inflacionário, os dados mais recentes ainda indicam pressão moderada, enquanto, no campo monetário, o Banco Popular da China manteve a taxa básica de juros em 3,00% a.a. preservando postura cautelosa diante dos desafios para sustentar a atividade, em um ambiente marcado por incertezas no setor imobiliário, demanda interna moderada e menor tração do comércio exterior.

No campo geopolítico, maio foi marcado pela continuidade das incertezas envolvendo o Oriente Médio, embora o mercado tenha gradualmente reduzido os prêmios de risco associados a possíveis interrupções relevantes na oferta global de petróleo. Nesse contexto, o petróleo Brent encerrou o mês com queda próxima de 21%, refletindo a combinação entre a diminuição das preocupações imediatas relacionadas às tensões entre Estados Unidos e Irã, a perspectiva de aumento da produção por países da Opep+ e as expectativas de desaceleração da demanda global. Ainda assim, o ambiente permaneceu sensível a novos desdobramentos geopolíticos, mantendo no radar dos investidores os potenciais impactos sobre a inflação global, os custos de energia e o crescimento econômico mundial.

Os mercados tiveram desempenho bastante desigual no fechamento do mês de maio, com forte diferença entre os ativos domésticos e internacionais. No exterior, o Global BDRX avançou 9,22% e o S&P 500 subiu 5,15%, refletindo a melhora do apetite por risco nos mercados globais. No Brasil, por outro lado, o Ibovespa recuou 7,22%, em um mês marcado por maior cautela com ativos locais e fluxo de saída de investidores estrangeiros da bolsa.

Na renda fixa, os resultados foram mais moderados e, em geral, também ficaram abaixo da meta. O CDI e o IRF-M 1 avançaram 1,07%, em linha com a a meta atuarial.

Entre os índices atrelados à inflação, o IDkA IPCA 2 Anos teve o melhor desempenho, com alta de 1,11%, seguido pelo IMA-B 5, que subiu 0,97%. Já o IMA-B e o IMA-B 5+ tiveram resultados mais fracos, de 0,31% e -0,20%, respectivamente, refletindo a maior sensibilidade dos vencimentos longos à abertura da curva de juros. Nos prefixados, o IRF-M subiu 0,68% e o IRF-M 1+ avançou 0,52%, ambos abaixo da meta.

De forma geral, maio foi um mês mais favorável aos ativos internacionais, enquanto os ativos domésticos tiveram desempenho limitado, especialmente na bolsa e nos índices de renda fixa de maior duration. Nesse contexto, as estratégias mais conservadoras seguiram próximas da meta atuarial e mantiveram relevância nas carteiras dos RPPS.

CONCLUSÃO  

Conforme evidenciado no gráfico, a curva de juros apresentou comportamento misto ao longo de maio de 2026, com fechamento nos vértices mais curtos e abertura nos trechos intermediários e longos. Esse comportamento refletiu a elevação dos prêmios exigidos pelo mercado, em um ambiente ainda marcado por incertezas fiscais e expectativas de inflação acima da meta.

Nos vértices mais longos, a abertura foi mais pronunciada, indicando maior incerteza dos investidores em relação ao cenário de médio e longo prazo. Apesar dos sinais de desaceleração observados em parte dos indicadores de atividade, a persistência das pressões inflacionárias e a deterioração das expectativas fiscais levaram a tal perspectiva futura.

Destaca-se que o período foi marcado por sinais mistos na economia doméstica. Enquanto o PIB do primeiro trimestre apresentou crescimento acima do esperado, os PMIs de maio apontaram perda de ritmo da atividade. Ao mesmo tempo, a inflação permaneceu acima da meta e a dívida pública voltou a avançar, fatores que seguiram exigindo prêmio adicional nos ativos de prazo mais longo.

No Brasil, as expectativas para a trajetória da Selic continuam condicionadas à evolução da inflação e do quadro fiscal. Embora o Banco Central tenha dado continuidade ao processo de redução dos juros, o mercado segue projetando um ciclo conduzido com cautela, diante dos riscos ainda presentes para a convergência da inflação à meta.

Com isso, diante de um cenário caracterizado por juros elevados e manutenção de volatilidade nos mercados, estratégias mais conservadoras continuam apresentando boa relação entre risco e retorno. Nesse contexto, fundos atrelados ao CDI permanecem beneficiados pelo elevado patamar dos juros reais.

Por fim, a alocação direta em títulos públicos atrelados à inflação, com marcação na curva, continua representando alternativa relevante para investidores com horizonte de longo prazo, uma vez que as taxas atualmente praticadas permanecem em níveis capazes de proporcionar retornos superiores à meta atuarial quando carregadas até o vencimento.

CONCLUSÃO

ELABORAÇÃO
Eduarda Benício

Murilo Lima

REVISÃO
Felipe Mafuz

EDIÇÃO
Jefferson Privino

DISCLAIMER

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