Index – 17.06.2026

Super Quarta

A Super Quarta de junho concentrou a atenção dos mercados nas definições de política monetária dos Estados Unidos e do Brasil. Em meio a juros elevados, pressões sobre os preços e maior incerteza no cenário externo, Fed e Copom reforçaram a necessidade de uma condução prudente. As sinalizações das duas autoridades seguem importantes para a formação das expectativas, a precificação dos ativos e o comportamento dos fluxos internacionais de capitais.

Nos Estados Unidos, o Fed manteve a taxa básica de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75%, em apoio ao duplo mandato da autoridade monetária. O Comitê reafirmou a política de manter reservas abundantes no sistema bancário e destacou que a atividade econômica segue em expansão sólida, apesar da elevada incerteza, associada em parte ao conflito no Oriente Médio. O texto também apontou crescimento forte da produtividade e do investimento de capital, enquanto a criação de empregos acompanhou a expansão da força de trabalho e a taxa de desemprego mudou pouco. Em relação aos preços, a avaliação foi de que a inflação permanece acima da meta de 2%, refletindo, em parte, choques de oferta em determinados setores, incluindo energia.

No Brasil, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 p.p., de 14,50% para 14,25% ao ano, dando sequência ao ciclo de calibração da política monetária. Mesmo com o corte, o Banco Central manteve uma comunicação prudente. No ambiente externo, destacou a indefinição sobre os conflitos no Oriente Médio e seus reflexos sobre as condições financeiras globais, ativos e commodities. No cenário doméstico, apontou aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre, com maior participação de setores cíclicos, além de um mercado de trabalho ainda resiliente. Ao mesmo tempo, a inflação cheia e as medidas subjacentes avançaram, afastando-se da meta e superando o limite superior na última leitura.

O Copom também voltou a chamar atenção para as expectativas de inflação. Segundo o último Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (15), as projeções para o IPCA estão em 5,30% para 2026 e 4,10% para 2027. Já a projeção do próprio Comitê para o quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, está em 3,7%. Nesse contexto, apesar da continuidade do corte da Selic, o Banco Central indicou que a extensão do ciclo dependerá dos próximos dados, da dinâmica dos preços e do balanço de riscos.

No geral, Brasil e Estados Unidos seguem em momentos distintos do ciclo monetário, mas com uma mensagem semelhante de prudência. O Fed preservou os juros diante de uma economia ainda sólida, preços pressionados e incertezas externas relevantes. O Copom, por sua vez, avançou com uma redução gradual da Selic, sem abandonar uma postura conservadora, diante das expectativas desancoradas e dos riscos ainda presentes no cenário doméstico. No fim, a Super Quarta mostrou que a trajetória da política monetária continuará dependente dos próximos indicadores e que a convergência da inflação ainda exige atenção nos dois países.

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