UM OLHO NO BRASIL
Tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros aumentam preocupação comercial – As novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos nesta semana colocaram o Brasil entre os países mais afetados pela política comercial norte-americana. Segundo levantamento da Global Trade Alert, citado em matéria publicada nesta sexta-feira (17), a tarifa efetiva aplicada aos produtos brasileiros deve ficar entre as maiores do mundo, atrás apenas da China. A medida aumenta a preocupação sobre o desempenho das exportações brasileiras para os EUA, especialmente em setores mais expostos ao mercado norte-americano. Para a economia brasileira, o impacto dependerá da abrangência das tarifas, da lista de exceções e da capacidade de redirecionamento das vendas externas para outros mercados.
Vendas no varejo avançam em maio, mas frustram expectativas – O comércio varejista brasileiro registrou leve alta de 0,1% em maio, na comparação com abril, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística nesta quinta-feira (16). Apesar do resultado positivo, o desempenho ficou abaixo das expectativas do mercado, indicando crescimento mais fraco do consumo no período. O avanço foi influenciado por segmentos pontuais, mas ainda refletiu um ambiente de cautela das famílias, em meio aos juros elevados e ao crédito mais restritivo. O dado sugere que o varejo segue em trajetória moderada, sem sinalizar aceleração mais consistente da demanda doméstica.
Setor de serviços recua em maio e fica abaixo do esperado – Após apresentar recuperação no mês anterior, o volume de serviços no Brasil caiu 0,4% em maio, na comparação com abril, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística nesta quarta-feira (15). O resultado frustrou a expectativa de leve alta do mercado e foi influenciado principalmente pelo desempenho mais fraco de transportes e outros serviços. Apesar da queda na margem, o setor ainda segue em patamar elevado em relação ao período pré-pandemia. O dado aponta perda de ritmo da atividade de serviços no curto prazo, reforçando sinais de moderação da economia.
IBC-Br avança em maio e supera expectativas – A atividade econômica brasileira voltou a mostrar leve avanço em maio, com alta de 0,10% do Índice de Atividade Econômica do Banco Central, considerado uma prévia do PIB. O dado, divulgado pelo Banco Central nesta sexta-feira (17), veio acima das expectativas do mercado, embora ainda indique crescimento moderado da atividade. Na comparação com maio de 2025, o indicador registrou alta de 0,8%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a mostrar avanço de 1,4%. O resultado sugere que a economia brasileira ainda mantém alguma resiliência, mas em ritmo mais contido, em meio aos efeitos dos juros elevados sobre consumo e investimentos.
IGP-10 registra queda em julho, com recuo mais intenso dos preços – Os preços medidos pelo Índice Geral de Preços – 10 voltaram a cair em julho, com recuo de 1,13%, após queda de 0,30% em junho, conforme divulgado pela Fundação Getúlio Vargas nesta sexta-feira (17). Com o resultado, o indicador acumulou alta de 2,00% no ano e de 2,68% em 12 meses. A queda mais intensa reforça o alívio nas pressões de preços no atacado, especialmente em itens ligados ao produtor, embora o índice ainda acumule avanço em 12 meses. O dado contribui para uma leitura mais favorável dos índices gerais de preços, mas ainda deve ser acompanhado junto aos demais indicadores de inflação ao consumidor.
…E OUTRO NO MUNDO
Inflação dos EUA registra primeira queda mensal desde 2020 – O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos divulgou nesta terça-feira (14) que o índice de preços ao consumidor recuou 0,4% em junho, após alta no mês anterior. O resultado ficou abaixo da expectativa do mercado e marcou a primeira variação mensal negativa do indicador desde maio de 2020. Em 12 meses, a inflação desacelerou para 3,5%, ante 4,2% em maio, também abaixo do esperado. A queda foi influenciada principalmente pelo recuo nos preços de energia, especialmente gasolina, trazendo alívio ao cenário inflacionário no curto prazo. Apesar disso, a inflação anual ainda permanece acima da meta do Federal Reserve, mantendo a política monetária norte-americana no radar.
PIB da China desacelera no segundo trimestre – O Escritório Nacional de Estatísticas da China divulgou nesta quarta-feira (15) que a economia chinesa cresceu 4,3% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, desacelerando frente à alta de 5,0% registrada no primeiro trimestre. O resultado marcou o menor ritmo de crescimento em mais de três anos e reforçou os sinais de perda de força da atividade. A desaceleração foi influenciada pela fraqueza do consumo das famílias, apesar do desempenho ainda positivo da indústria e das exportações. O dado amplia as dúvidas sobre a sustentabilidade do crescimento chinês e aumenta a pressão por novas medidas de estímulo por parte do governo.
Zona do euro registra déficit comercial em abril – Dados da Eurostat mostraram que a zona do euro registrou déficit comercial de 1,0 bilhão de euros em abril de 2026, revertendo o superávit de 4,9 bilhões de euros observado em março. As exportações somaram 255,4 bilhões de euros, enquanto as importações alcançaram 256,4 bilhões de euros. O resultado também representou piora em relação ao superávit de 8,7 bilhões de euros registrado em abril de 2025. A deterioração foi influenciada principalmente pelo aumento do déficit de energia e pelo menor superávit em máquinas e veículos, reforçando a sensibilidade do bloco aos custos de energia e às condições do comércio global.
Produção industrial da zona do euro recua em maio – A Eurostat divulgou nesta quarta-feira (15) que a produção industrial da zona do euro caiu 0,2% em maio, na comparação com abril, contrariando a expectativa de alta de 0,2% do mercado. Em relação a maio de 2025, o indicador recuou 1,2%, reforçando os sinais de fraqueza da indústria no bloco. O resultado interrompeu a melhora observada no mês anterior, quando a produção havia avançado 0,3%, e refletiu um ambiente ainda desafiador para o setor manufatureiro europeu. O dado reforça a cautela em relação ao ritmo da atividade na zona do euro, especialmente diante de custos ainda elevados e incertezas no comércio global.
Tensões entre Estados Unidos e Irã elevam risco geopolítico no Oriente Médio – Segundo a Reuters, nesta sexta-feira (17), as tensões entre Estados Unidos e Irã se intensificaram com novos ataques contra infraestruturas na região, incluindo pontes, aeroporto e instalações de energia. A escalada aumentou a preocupação com a segurança de rotas estratégicas no Golfo, especialmente o Estreito de Hormuz, importante para o transporte global de petróleo. O movimento pressionou os preços da commodity e elevou a percepção de risco nos mercados internacionais. A continuidade das tensões pode afetar custos de energia, inflação global e decisões de política monetária nas principais economias.
