Index – 11.09.26

IPCA cai 0,32% em agosto e acumula alta de 4,22% em 12 meses

Conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (11), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou 0,32% em agosto, após a alta de 0,07% registrada em julho. O resultado veio abaixo das expectativas do mercado, que indicavam queda de 0,28%. Com a leitura, o índice acumula alta de 3,11% no ano e de 4,22% nos últimos 12 meses, abaixo dos 4,44% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Foi a primeira deflação mensal do IPCA em um ano, desde agosto de 2025.

O resultado do mês foi influenciado principalmente pela redução da energia elétrica residencial, que recuou 7,63%, refletindo a incorporação do Bônus de Itaipu nas faturas emitidas em agosto. O benefício gerou abatimento de R$ 872,1 milhões nas contas de 83,8 milhões de consumidores e mais do que compensou os efeitos da manutenção da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

Os preços dos alimentos também contribuíram para a deflação observada no período, com o grupo Alimentação e bebidas registrando o terceiro mês consecutivo de queda. O destaque da queda foram os preços da alimentação no domicílio, os principais itens que apresentaram recuo foi a batata-inglesa, com queda de 19,89%, e a cenoura, com redução de 11,22%, além de baixas em produtos como cebola, tomate, ovos e café moído. O comportamento mais favorável dos alimentos ajudou a ampliar o alívio sobre o índice no mês.

Apesar da deflação registrada em agosto, parte relevante do resultado está associada a fatores pontuais, especialmente ao Bônus de Itaipu. Com o encerramento do efeito do desconto nas contas de energia, é esperada uma recomposição dos preços de energia em setembro. Além disso, permanecem no radar riscos relacionados ao comportamento dos preços dos alimentos, inclusive diante das condições climáticas, além da alta volatilidade nos preços do petróleo. Dessa forma, o resultado de agosto representa um alívio para a inflação no curto prazo, mas ainda recomenda cautela na avaliação da trajetória dos preços.

Com o resultado, o IPCA acumulado em 12 meses recuou de 4,44% para 4,22%, permanecendo, pelo segundo mês consecutivo, abaixo do limite superior de 4,50% do intervalo de tolerância da meta de inflação, cujo centro é de 3,00%. Embora a leitura represente uma melhora da dinâmica inflacionária recente, a inflação ainda permanece acima do centro da meta e alguns componentes seguem demandando acompanhamento, principalmente diante do caráter temporário de parte da deflação observada em agosto.

O cenário segue exigindo postura prudente e diligente na condução dos investimentos. A redução da inflação acumulada em 12 meses representa um sinal favorável, enquanto a continuidade do processo de desinflação tende a reforçar as expectativas de flexibilização da política monetária. Atualmente, a taxa Selic está em 14,00% ao ano, e o Copom se reúne nos dias 15 e 16 de setembro. A expectativa predominante do mercado é de um novo corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 13,75% ao ano.

Nesse contexto, as estratégias de renda fixa continuam favorecidas, especialmente as alocações em ativos atrelados ao CDI e em títulos públicos marcados na curva, que seguem oferecendo taxas atrativas diante do atual nível dos juros. Ao mesmo tempo, a continuidade do processo de desinflação e do ciclo de redução da Selic pode favorecer títulos prefixados e indexados à inflação marcados a mercado, especialmente em um cenário de fechamento da curva de juros. Ativos de maior duration, entretanto, permanecem mais sensíveis às oscilações das taxas, o que reforça a importância de uma adequada gestão de riscos, da manutenção de liquidez e da compatibilidade dos investimentos com a meta atuarial e com o fluxo de obrigações do regime.

No campo das expectativas, o Boletim Focus mais recente projeta inflação de 5,00% ao final de 2026 e de 4,29% em 2027, indicando que, apesar do resultado mais favorável observado em agosto, o mercado ainda espera uma convergência gradual da inflação. Para a Selic, a mediana das projeções aponta para uma taxa de 13,75% ao final de 2026. Assim, a deflação registrada no mês reforça a perspectiva de continuidade da flexibilização monetária, mas não elimina os riscos existentes no cenário inflacionário.

Compartilhar

Confira outros artigos

UM OLHO NO BRASIL Setor de serviços fica estável em julho – De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro

IPCA cai 0,32% em agosto e acumula alta de 4,22% em 12 meses Conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de

RESUMO Em agosto, a economia brasileira seguiu em ritmo mais moderado, com sinais distintos entre os setores, inflação mais contida