Ata do Copom

O Banco Central do Brasil divulgou, nesta terça-feira (25), a Ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) ocorrida nos dias 18 e 19 de março. Na ocasião, o colegiado decidiu, em unanimidade, pela elevação da taxa Selic em 1,00 p.p., para 14,25% a.a.., conforme havia antecipado na reunião ocorrida em janeiro.

Em relação ao contexto externo, o Comitê avaliou que o cenário global permanece desafiador, com relevantes incertezas econômicas e geopolíticas, sobretudo acerca do ritmo de desinflação e desaceleração da atividade econômica dos Estados Unidos, que tem gerado ainda mais dúvidas em relação à postura do Fed, e ao ritmo de crescimento nos demais países. Para o Comitê, há um concomitante aumento da incerteza e deterioração do cenário de crescimento global em relação à reunião anterior.

No que tange ao cenário doméstico, o Copom argumentou que o conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho tem demonstrado dinamismo, ainda que os dados referentes aos últimos meses sugiram o início de uma moderação no crescimento. O colegiado ressaltou ainda que dados de percepção, como indicadores de confiança e pesquisas de sentimento de crédito, têm sugerido uma desaceleração maior do que a observada nos dados objetivos.

No que se refere à inflação de curto prazo, o Copom avaliou que o cenário segue adverso. As expectativas de inflação elevaram-se novamente em todos os prazos, indicando desancoragem adicional, tornando assim o cenário de inflação mais desafiador. Para o Comitê, as projeções de inflação situam-se em 5,1% para o fechamento de 2025 e 3,9% para o terceiro trimestre de 2026.

O Copom destacou – entre os riscos de alta -, a desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo e uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.

Em suas percepções a respeito dos riscos de baixa, o Comitê apontou os impactos sobre o cenário de inflação de uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada bem como um cenário menos inflacionário para economias emergentes decorrente de choques sobre o comércio internacional e sobre as condições financeiras globais.

Por fim, o colegiado resolveu elevar a taxa Selic em 1,00 p.p., ressaltando que a indicação anterior de uma nova alta em igual magnitude se mostrou apropriada. O colegiado afirmou que antevê, em se confirmando o cenário esperado, um ajuste de menor magnitude na próxima reunião. O Copom afirmou ainda que a magnitude total do ciclo de aperto monetário será ditada pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta e dependerá da dinâmica da inflação, das expectativas de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos.

Compartilhar

Confira outros artigos

IBC-Br recua em março, mas atividade econômica avança no primeiro trimestre Segundo dados divulgados pelo Banco Central do Brasil nesta

UM OLHO NO BRASIL IPCA desacelera em abril, mas acumulado em 12 meses avança – Conforme dados divulgados pelo Instituto

RESUMO No Brasil, a atividade tem mostrado melhora no início de 2026, com avanço do IBC-Br, recuperação dos PMIs e