Ata do Copom destaca cenário macroeconômico global e atividade doméstica

O Banco Central divulgou, nesta terça-feira (14), a Ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), quando reduziu a taxa Selic em 0,25 p.p., para 10,50% a.a., em decisão dividida. O Copom deixou em aberto quais serão seus próximos movimentos.

A Ata destaca o cenário externo adverso, principalmente no que diz respeito ao esforço das autoridades monetárias para convergir a inflação às respectivas metas e às incertezas relacionadas ao ciclo de juros nos Estados Unidos. Já no cenário doméstico, o colegiado elencou como pontos de atenção a resiliência da atividade e a sustentação do consumo, “em contraste com o cenário de desaceleração gradual originalmente antecipado pelo Comitê”.

Além disso, os membros do Comitê deram ênfase a fatores que podem afetar negativamente os efeitos da política monetária, dificultando o trabalho do BC, como “o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública”. Podemos citar como exemplo a mudança da meta fiscal dos próximos anos, que ocorreu após a reunião de março.

O Comitê também abordou motivos que possivelmente influenciaram a recente desancoragem das expectativas de inflação, como:

I) a piora do cenário externo;

II) os recentes anúncios de política fiscal;

III) percepção de agentes econômicos acerca do compromisso da autoridade monetária com o atingimento da meta ao longo dos anos.

Apesar dos membros concluírem unanimemente sobre a necessidade de “uma política monetária mais contracionista e mais cautelosa”, observamos um embate que dividiu o Comitê nesta última reunião. De um lado, a maioria (cinco membros) optou por corte de 0,25 p.p., argumentando que “o forward guidance indicado na reunião anterior sempre foi condicional e houve alteração no cenário em relação ao que se esperava.” Com isso, deram maior ênfase a assegurar a credibilidade sobre manter o compromisso com o controle inflacionário, e não ao “eventual custo reputacional de não seguir um guidance”.

Por outro lado, os quatro membros que votaram pelo corte de 0,50 p.p. “discutiram se o cenário prospectivo divergiu significativamente do que era esperado a ponto de valer o custo reputacional de não seguir o guidance, o que poderia levar a uma redução do poder das comunicações formais do Comitê”.

Dado que os quatro votos por corte de 0,50 p.p. foram de membros indicados pelo presidente Lula, a decisão dividida exemplifica incertezas existentes que preocupam uma parcela do mercado sobre as futuras decisões da autoridade monetária, haja vista que a partir do fim do ano o atual Governo terá maioria de indicados no Comitê.

Por fim, o Boletim Focus mais recente projeta IPCA em 3,76% para 2024 e 3,66% para 2025. Quanto à expectativa da taxa Selic, indica 9,75% e 9,00% para 2024 e 2025, respectivamente.

Compartilhar

Confira outros artigos

IPCA-15 sobe 0,62% em maio e acumula alta de 4,64% em 12 meses Conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de

IBC-Br recua em março, mas atividade econômica avança no primeiro trimestre Segundo dados divulgados pelo Banco Central do Brasil nesta

UM OLHO NO BRASIL IPCA desacelera em abril, mas acumulado em 12 meses avança – Conforme dados divulgados pelo Instituto