Donald Trump: o início do 2º mandato

Ontem, dia 20 de janeiro de 2025, Donald Trump tomou posse como o 47º presidente dos Estados Unidos da América. Em discurso destinado à sua base eleitoral, Trump afirmou compromissos de campanha e endossou o discurso protecionista, nacionalista e anti-imigração. Rodeado de ex-presidentes americanos e presidentes de vertente ideológica condizente com a sua, Trump anunciou suas primeiras medidas, em linha com promessas de campanha, como expulsão de imigrantes ilegais, taxação de outros países e combate de censura por parte do Estado. Abaixo elencamos quais as primeiras medidas do novo governo:

  • Declaração de emergência nacional na fronteira com o México, inclusive propondo renomear do Golfo do México para “Golfo da América”;
  • Vinculação de cartéis mexicanos como organizações terroristas;
  • Retomar o controle do Canal do Panamá;
  • Declaração de emergência energética;
  • Revisão de políticas de gênero;
  • Reintegração de funcionários públicos dispensados por não comprovarem vacinação contra Covid-19.

Apesar do discurso incisivo e aclamado pelos participantes do evento, Trump não deverá ter vida fácil para aprovação de pautas mais extremas. O clima político altamente polarizado do país evoca um ambiente de profunda tensão entre republicanos e democratas, e apesar da maioria republicana na câmara e no senado, vários republicanos não se posicionam favoravelmente a medidas mais extremas defendidas pelo então presidente.

No âmbito da economia, Trump recebe um país com desemprego em baixa, atividade econômica aquecida, inflação acima da meta e incerteza nos próximos movimentos do Banco Central, no que tange à dinâmica de juros no país. As medidas defendidas em campanha e apresentadas na posse trazem uma maior pressão nos preços e consequentemente nas decisões do Fed, devido ao impacto na oferta de mão de obra com a implementação de uma política anti-imigração mais severa. Tais medidas dificultariam a oferta de trabalhadores e tende a elevar o nível de remuneração.

Por outro lado, as medidas defendidas pelo republicano vão ao encontro de uma agenda propositiva para o setor corporativo, defendendo redução de tributos para alguns setores específicos e elevação de tarifas para importação de produtos concorrentes. CEOs de grandes empresas de tecnologia encontravam-se na primeira fileira durante a posse do presidente, com aceno de Trump ocorrendo durante o seu discurso, quando o presidente afirmou querer “enviar astronautas americanos para plantar as estrelas e listras no planeta marte”, fazendo alusão à empreitada do bilionário e amigo, Elon Musk, CEO da Tesla, Space X e X (Antigo Twiter).

As tensões acerca do cenário fiscal do país se elevam com as políticas defendidas por Trump, uma vez que as medidas vão no sentido de renúncia fiscal com a redução de impostos corporativos e implementação de uma política fiscal expansionista, que foi defendida no discurso com as falas em referência à expansão territorial e anexação de outros territórios. O crescente nível da dívida americana ficou em evidência nos últimos anos com sucessivos aumentos no teto da dívida, aprovados pelo congresso, que evitaram que o país promovesse o seu primeiro calote.

No âmbito geopolítico, Trump assume em um momento levemente mais favorável do que o vivido por seu antecessor, com o anúncio feito a poucos dias de um cessar-fogo entre Israel e Hamas, com promessas de libertação de reféns por parte do grupo terrorista. Apesar disso, o cenário continua turbulento, com desafios em torno da continuidade do apoio à Ucrânia na guerra contra a Rússia e da forma como se darão as relações diplomáticas com a China, objeto da guerra comercial vivida no seu primeiro governo e que volta à tona com as promessas de elevação nas tarifas por parte do presidente americano.

Outro dilema vivido com o país asiático advém da instabilidade vivida entre China e Taiwan, tema também abordado no discurso de posse do presidente quando citado o Canal do Panamá: “E, acima de tudo, a China está operando o Canal do Panamá. E não o demos à China. Demos ao Panamá e estamos tomando de volta.” 

O principal ponto de tensão com o novo governo são as relações internacionais, que ganharam ainda mais holofotes com as declarações recentes sobre a intenção do presidente em anexar a Groenlândia ao território americano. A anexação do território hoje pertencente à Dinamarca tem razões estratégicas como o controle do oceano Ártico, que devido ao derretimento de geleiras tem ampliado novas rotas marítimas, presença militar e recursos naturais, já que a região é rica em minerais usados em tecnologia de ponta e há oportunidade de exploração de petróleo e gás através do Ártico.

Dentre os principais dilemas a serem enfrentados pelo novo governo, destacamos o nacionalismo econômico em um mundo globalizado, dinâmica de inflação e juros impactando a economia doméstica, segurança de fronteiras, política de imigração, crescimento econômico com sustentabilidade ambiental e conflitos geopolíticos.

Diante de um cenário global extremamente incerto e de um país marcado por profundas divisões, o novo governo Trump terá que navegar por dilemas complexos que exigem equilíbrio entre suas promessas eleitorais e os desafios reais de governança. Ao priorizar uma política nacionalista, Trump corre o risco de isolar os Estados Unidos em questões globais, enquanto enfrenta pressões internas para promover crescimento econômico sustentável. O sucesso de seu governo dependerá de sua habilidade em alinhar suas decisões com os interesses de sua base política sem comprometer a estabilidade econômica, diplomática e social. Em um mundo cada vez mais conectado, o caminho do diálogo e da diplomacia será fundamental para evitar crises e alcançar soluções que assegurem tanto a prosperidade do país quanto sua posição de liderança global.

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