Ata do Copom – 279ª Reunião
A ata da reunião do Copom, divulgada nesta terça-feira (23), trouxe uma sinalização relevante sobre o atual estágio da política monetária no Brasil. Embora o Comitê tenha reduzido a Selic para 14,25% ao ano, o tom do documento reforça que o ambiente ainda exige cautela.
Do ponto de vista externo, o cenário permanece desafiador. As tensões geopolíticas no Oriente Médio e as incertezas sobre a política econômica dos Estados Unidos seguem elevando a volatilidade dos preços de ativos e commodities, o que exige atenção adicional de economias emergentes.
No ambiente doméstico, o Banco Central avalia que a atividade econômica segue em moderação, refletindo os efeitos da política monetária restritiva. Ainda assim, os dados do primeiro trimestre indicaram aceleração da atividade, com maior contribuição de setores cíclicos e mercado de trabalho ainda resiliente.
O principal ponto de atenção segue sendo a inflação. As últimas divulgações apontaram aceleração do índice cheio e das medidas subjacentes, com o IPCA se afastando da meta e superando o limite superior do intervalo de tolerância.
Além disso, as expectativas de inflação permanecem acima da meta nos horizontes relevantes, indicando um quadro de desancoragem. Nesse contexto, o Copom reforça que a política monetária precisa permanecer restritiva por mais tempo.
As projeções do cenário de referência indicam inflação de 5,2% em 2026 e de 3,7% no quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante. O balanço de riscos segue pressionado e com assimetria altista, diante da resiliência da inflação de serviços, das expectativas acima da meta e da possibilidade de novos choques externos.
Na avaliação do Comitê, a redução de 0,25 ponto percentual na Selic é compatível com o atual estágio do ciclo. Ao mesmo tempo, os próximos passos dependerão da evolução do cenário, especialmente em relação às expectativas de inflação, ao ambiente externo e aos efeitos dos conflitos no Oriente Médio sobre os preços.
Em síntese, a ata reforça que o ciclo de cortes não foi formalmente encerrado, mas sua continuidade deve ocorrer de forma gradual e condicionada aos dados. A condução da política monetária seguirá cautelosa, com foco na convergência da inflação à meta ao longo do horizonte relevante.