Index – 24.03.2026

Ata do Copom – 277ª Reunião – 24 de março de 2026

O Banco Central do Brasil divulgou, nesta terça-feira (24), a Ata da 277ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada nos dias 17 e 18 de março. Na ocasião, o colegiado decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 14,75% a.a., avaliando que esse movimento permanece compatível com a estratégia de convergência da inflação à meta ao longo do horizonte relevante. Ao mesmo tempo, o Comitê indicou que os próximos passos da política monetária dependerão da evolução do cenário e da incorporação de novas informações, em um ambiente ainda marcado por elevada incerteza.

No cenário externo, o Copom avaliou que o ambiente internacional se tornou mais incerto, sobretudo em função do agravamento dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio e das novas incertezas em torno da política econômica dos Estados Unidos. Segundo o Comitê, esse contexto elevou a volatilidade dos preços de ativos e de commodities, exigindo maior cautela por parte de países emergentes.

Em relação ao cenário doméstico, o Comitê destacou que a atividade econômica segue em trajetória de moderação, em linha com o processo esperado de desaceleração, refletindo inclusive os efeitos defasados de uma política monetária restritiva por período prolongado. Ainda assim, os indicadores preliminares do primeiro trimestre de 2026 apontam alguma retomada em relação ao fim de 2025, em um movimento compatível com crescimento positivo do PIB neste ano, ainda que em ritmo inferior ao observado anteriormente. O mercado de trabalho, por sua vez, permanece resiliente, com desemprego em níveis historicamente baixos e rendimentos reais ainda em trajetória de elevação acima do crescimento da produtividade.

No debate fiscal, o Copom voltou a enfatizar a importância da harmonia entre as políticas fiscal e monetária. O Comitê reiterou que a condução da política fiscal afeta tanto a demanda agregada no curto prazo quanto a percepção sobre a sustentabilidade da dívida no horizonte mais longo, com impacto sobre o prêmio de risco e, consequentemente, sobre o processo de convergência da inflação à meta.

No que se refere à inflação, o Comitê reconheceu que os dados mais recentes vinham apontando algum arrefecimento tanto do índice cheio quanto das medidas subjacentes, embora a inflação ainda permaneça acima da meta. Além disso, as expectativas seguem acima do centro da meta para os horizontes relevantes, o que reforça a necessidade de manutenção de uma postura monetária ainda restritiva.

No cenário de referência, as projeções do Copom indicam inflação de 3,9% em 2026 e de 3,3% no terceiro trimestre de 2027, que corresponde ao horizonte relevante de política monetária. O balanço de riscos segue mais adverso, com destaque, entre os vetores de alta, para uma desancoragem mais prolongada das expectativas, maior resiliência da inflação de serviços e eventuais impactos inflacionários mais intensos do ambiente externo e interno. Entre os riscos de baixa, o Comitê mencionou a possibilidade de desaceleração mais acentuada da atividade doméstica, enfraquecimento mais intenso da economia global e recuo adicional nos preços das commodities.

Na decisão, o Copom optou por reduzir a taxa Selic em 0,25 p.p., para 14,75% a.a., entendendo que esse ajuste é compatível com o atual estágio do processo de desinflação. O Comitê também ressaltou que a magnitude e a duração do ciclo de calibração dos juros serão definidas ao longo do tempo, à medida que o cenário se torne mais claro, reforçando a necessidade de serenidade e cautela diante do aumento recente das incertezas.

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