Overview – 07.11.25

PRINCIPAIS DESTAQUES

  • Copom mantém Selic em 15% e reforça tom cauteloso;
  • Indústria brasileira recua em ritmo mais moderado em outubro, mas emprego segue em queda;
  • Superávit comercial do Brasil sobe para US$ 7 bilhões em outubro;
  • Atividade econômica da zona do euro acelera em outubro;
  • Balança comercial da China se contrai em outubro com queda nas exportações;
  • Setor de serviços dos EUA avança em outubro, indicando expansão consistente da economia.

UM OLHO NO BRASIL
Copom mantém Selic em 15% ao ano e reforça tom cauteloso. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (05), manter a taxa Selic em 15% ao ano, em decisão unânime e em linha com as expectativas do mercado. O colegiado ressaltou que a inflação segue acima da meta e que as expectativas permanecem desancoradas, exigindo prudência na condução da política monetária. No comunicado, o BC destacou que a atividade econômica mostra sinais de moderação, embora o mercado de trabalho siga aquecido. Sobre o cenário externo, o Comitê avaliou que as incertezas permanecem elevadas, principalmente em função da condução da política monetária nos Estados Unidos e do aumento das tensões geopolíticas. A autoridade monetária reforçou ainda que monitora de perto a evolução da política fiscal e seus efeitos sobre os ativos financeiros. As projeções do Copom indicam inflação de 4,6% em 2025 e 3,6% em 2026, ligeiramente acima das expectativas do mercado, de 4,5% e 4,2%, respectivamente.

Indústria brasileira recua em ritmo mais moderado em outubro, mas emprego segue em queda. Conforme dados divulgados pela S&P Global, nesta segunda-feira (03), o PMI industrial do Brasil avançou de 46,5 em setembro para 48,2 pontos em outubro, indicando redução no ritmo de contração da atividade, embora o índice siga abaixo da linha de 50 pelo sexto mês consecutivo. O resultado mostra que, no mês, a produção e as novas encomendas recuaram em menor intensidade, mas a fraqueza da demanda internacional e os efeitos das tarifas norte-americanas continuam limitando a recuperação do setor. O levantamento também apontou o maior corte de vagas industriais em mais de dois anos, refletindo o ambiente de custos elevados e incertezas externas. Parte das empresas, porém, demonstrou otimismo moderado com o próximo trimestre, citando investimentos pontuais e expectativa de melhora gradual na demanda doméstica.

Produção industrial recua 0,4% em setembro. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (04), que a produção industrial brasileira caiu 0,4% em setembro ante agosto, após dois meses de alta. A retração foi puxada principalmente pelos segmentos de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-9,7%), veículos automotores (-3,5%) e indústrias extrativas (-1,6%), refletindo demanda enfraquecida e impactos das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. Entre as 25 atividades pesquisadas, 12 apresentaram queda no mês. Em contrapartida, o setor de alimentos registrou avanço de 1,9% e contribuiu para amenizar o resultado agregado, junto a altas em produtos de madeira, borracha e material plástico. Na comparação anual, a produção industrial cresceu 2%, beneficiada pelo efeito calendário e pelo aumento das exportações de bens intermediários, embora o ritmo de recuperação siga desigual entre os segmentos.

Superávit comercial do Brasil sobe para US$ 7 bilhões em outubro. Nesta quinta-feira (06), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7 bilhões em outubro, um aumento de 70,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior. As exportações somaram US$ 32 bilhões, avançando 9,1%, impulsionadas principalmente pela agropecuária e pela indústria extrativa, enquanto as importações totalizaram US$ 25 bilhões, recuando 0,8% na base anual. O avanço nas vendas externas foi sustentado pelo forte desempenho de commodities como soja (+42,7%), carne bovina (+40,9%) e minério de ferro (+30%). Por outro lado, as compras de petróleo e peças automotivas diminuíram, refletindo menor demanda doméstica e ajustes nas cadeias produtivas. No acumulado de janeiro a outubro, o saldo comercial atingiu US$ 52,7 bilhões, caindo 16,6% frente ao mesmo período de 2024, em meio à desaceleração global e ao impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

IGP-DI recua 0,03% em outubro. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou nesta sexta-feira (07), que o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou leve queda de 0,03% em outubro, após alta de 0,36% em setembro. Com o resultado, o índice acumula retração de 1,31% no ano e alta de 0,73% em 12 meses. A desaceleração foi influenciada principalmente pela redução nos preços de produtos agropecuários, como café, trigo, soja e leite in natura, além da queda nas tarifas de energia elétrica e passagens aéreas. No mesmo período, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) recuou 0,13%, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,14% e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 0,30%. O resultado sinaliza perda de força nas pressões de custo ao longo da cadeia produtiva e contribui para um cenário de inflação mais contida no curto prazo.

OUTRO NO MUNDO
Atividade econômica da zona do euro acelera em outubro. Conforme dados divulgados pela S&P Global, nesta quarta-feira (05), o PMI composto da zona do euro, demonstrou aceleração da atividade econômica em outubro, alcançando 52,5 pontos ante 51,2 em setembro. O resultado representa o maior nível desde meados de 2023 e marca o décimo mês consecutivo de expansão. O avanço foi sustentado pelo aumento dos novos pedidos e pela retomada do emprego, especialmente no setor de serviços, que ampliou contratações diante da maior demanda. Embora a indústria siga em ritmo mais moderado, o indicador reforça sinais de estabilização da economia do bloco. A pressão de custos continua em desaceleração, mas as empresas ainda repassam parte dos aumentos aos preços finais.

Setor de serviços da China atinge nível mais baixo em três meses. O PMI de serviços da RatingDog China, calculado pela S&P Global, recuou de 52,9 em setembro para 52,6 pontos em outubro, registrando o ritmo de crescimento mais fraco em três meses. O resultado refletiu a desaceleração das encomendas externas, que compensou parte do impulso da demanda doméstica. O emprego no setor voltou a cair, enquanto os custos de insumos avançaram em ritmo mais intenso, pressionando as margens de lucro das empresas. Apesar disso, o governo chinês mantém a meta de crescimento próxima a 5% em 2025, apoiado por estímulos econômicos e pelo recente acordo comercial com os Estados Unidos, que reduziu tarifas e amenizou tensões bilaterais.

Setor de serviços dos EUA avança em outubro, indicando expansão consistente da economia. O PMI de serviços dos Estados Unidos, divulgado pela S&P Global nesta quarta-feira (05), subiu para 54,8 pontos em outubro, após 54,2 em setembro, sinalizando resiliência da atividade econômica. O PMI composto também registrou alta em outubro, para 54,6 pontos, sugerindo que a economia norte-americana iniciou o quarto trimestre em ritmo de expansão. O desempenho foi impulsionado pelo aumento dos novos pedidos e pela melhora da demanda doméstica.

Setor privado dos EUA registra recuperação na criação de vagas em outubro. Conforme o relatório da ADP, divulgado nesta quarta-feira (05), o setor privado dos Estados Unidos criou 42 mil vagas em outubro, superando as projeções. No mês, os salários subiram 4,5% na base anual, mantendo estabilidade em relação a variação de setembro. O resultado reforça a resiliência do mercado de trabalho norte-americano, ainda que em ritmo mais moderado, diante do cenário de juros elevados. O levantamento antecede a divulgação do relatório oficial de emprego (payroll), suspenso temporariamente em razão da paralisação parcial do governo federal.

Balança comercial da China se contrai em outubro com queda nas exportações. O governo da China divulgou, nesta sexta-feira (07), que o país acumulou superávit comercial de US$ 90,07 bilhões em outubro, abaixo do saldo de US$ 90,45 bilhões apurado em setembro. As exportações recuaram 1,1% em relação ao mesmo mês de 2024, marcando a primeira queda em dezoito meses, enquanto as importações avançaram 1%, ritmo inferior ao observado em setembro (+7,4%). O desempenho reflete a combinação entre a menor demanda global e o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos, que seguem pressionando o setor exportador. Embora o acordo recente tenha reduzido parte dessas tarifas e mantido o fluxo de exportações de terras raras, os dados indicam perda de dinamismo no comércio exterior chinês e reforçam os desafios para a economia no quarto trimestre.

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