OVERVIEW – 10.04.2026

INTERNACIONAL

Cessar-fogo entre EUA e Irã segue em vigor, mas continua sob forte pressão A trégua entre Estados Unidos e Irã permanece válida, embora sua sustentação esteja sendo testada por divergências sobre seu alcance e pela continuidade dos ataques israelenses no Líbano. O ponto de maior tensão está na interpretação do acordo, já que o Irã defende que o Líbano integra o cessar-fogo, enquanto Estados Unidos e Israel tratam essa frente como separada. Além disso, a fragilidade do acordo também se reflete no Estreito de Ormuz, cuja reabertura ainda não ocorreu de forma plena, apesar de ser tratada como condição relevante para a manutenção da trégua. Paralelamente, os ataques no Líbano e a queda dos novos avanços diplomáticos aumentam o risco de deterioração do quadro, ainda que negociações adicionais sigam em preparação.

Ata do Fed indica maior abertura à possibilidade de alta de juros nos Estados Unidos Segundo a ata da reunião de 17 e 18 de março divulgada pelo Federal Reserve na última quarta-feira (8), o Comitê manteve a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, mas parte dos dirigentes passou a admitir com mais clareza a possibilidade de elevação dos juros caso a inflação permaneça acima da meta de 2,0%. O documento mostrou que a avaliação do Fed foi influenciada pelo aumento da incerteza econômica e pelos riscos inflacionários associados à alta dos preços do petróleo, em um contexto de tensões no Oriente Médio.

Dados do Payroll dos EUA referente a março mostra criação de 178 mil vagas, acima do esperado Os Estados Unidos criaram 178 mil vagas de emprego em março, resultado bastante superior à expectativa de 59 mil postos. No mesmo período, a taxa de desemprego recuou de 4,4% para 4,3%, sinalizando melhora pontual nos indicadores de emprego. Apesar do resultado mais forte no mês, o quadro geral ainda sugere moderação do segmento.

PMI composto da zona do euro cai para 50,7 pontos em março, menor nível em nove meses Segundo dados divulgados pela S&P Global nesta terça-feira (7), o PMI composto da zona do euro recuou de 51,9 pontos em fevereiro para 50,7 em março, sinalizando desaceleração da atividade econômica do bloco, embora o índice tenha permanecido acima da marca de 50 pontos, que indica expansão. De acordo com a pesquisa, o enfraquecimento refletiu principalmente a perda de fôlego do setor de serviços, cujo PMI caiu para 50,2 pontos, em meio ao aumento dos custos de energia, interrupções nas cadeias de oferta e recuo da demanda. O levantamento também apontou queda dos novos negócios pela primeira vez em oito meses, enquanto a produção industrial manteve crescimento mais sólido no período.

Índice de Preços ao produtor da China sobe 0,5% em março e interrompe sequência de quedas Segundo dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas da China na quinta-feira (9), o índice de preços ao produtor avançou 0,5% em março na comparação anual, superando a expectativa de mercado de 0,4% e encerrando uma sequência de 41 meses de retração. O movimento refletiu, principalmente, a elevação dos custos de insumos em meio à alta global das commodities energéticas, em um contexto de tensões geopolíticas no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, o índice de preços ao consumidor subiu 1,0% em 12 meses, desacelerando em relação aos 1,3% observados em fevereiro.

NACIONAL

Balança comercial brasileira registra superávit de US$ 6,4 bilhões em março Segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta terça-feira (07), a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 6,405 bilhões em março, resultado de exportações de US$ 31,603 bilhões e importações de US$ 25,199 bilhões. O saldo ficou abaixo da mediana das expectativas do mercado, que projetava superávit de US$ 7,55 bilhões. As exportações avançaram 10,0% na comparação anual, com destaque para a indústria extrativa e a indústria de transformação, enquanto as importações subiram 20,1%, refletindo principalmente o aumento das compras da indústria de transformação. No acumulado do ano até março, o superávit comercial soma US$ 14,175 bilhões, valor 47,6% superior ao observado no mesmo período de 2025.

PMI de serviços do Brasil cai em março – Segundo dados divulgados pela S&P Global nesta segunda-feira (6), o PMI de serviços do Brasil recuou de 53,1 pontos em fevereiro para 50,1 em março. Apesar da queda, o índice permaneceu acima do nível de 50 pontos, o que indica continuidade da expansão da atividade, ainda que em ritmo bem mais moderado. De acordo com a pesquisa, o setor foi pressionado pela desaceleração da demanda, pela menor captação de novos negócios e pela intensificação dos custos, em um contexto de juros elevados e aumento das pressões inflacionárias. O levantamento também apontou recuo marginal dos novos pedidos, após quatro meses de avanço, e manutenção do crescimento do emprego no período. O PMI Composto do país, que mede a atividade conjunta das empresas de serviços e da indústria, também caiu, de 51,3 em fevereiro para 49,9 pontos em março.

IPCA sobe 0,88% em março e acumula alta de 4,14% em 12 meses – Conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (10), o IPCA avançou 0,88%, acima da expectativa de mercado de 0,70%, enquanto a inflação acumulada em 12 meses alcançou 4,14%. O resultado mensal ficou acima do esperado, mas o acumulado permanece dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, cujo limite superior é de 4,50%. O principal destaque do índice foi o grupo Transportes, que registrou alta de 1,64%, impulsionado pelo avanço de 4,59% da gasolina e de 13,90% do óleo diesel, em movimento associado à elevação dos preços do petróleo no mercado internacional e a reajustes domésticos. Também houve pressão relevante em Alimentação e bebidas, com alta de 1,56%, e em Despesas pessoais, que avançaram 0,65%, evidenciando disseminação das pressões inflacionárias entre diferentes grupos de consumo no mês.

Banco Mundial reduz previsão de crescimento do Brasil para 1,6% em 2026 Segundo relatório divulgado pelo Banco Mundial, a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026 foi revisada de 2,0% para 1,6%. A instituição atribuiu a redução a fatores externos, como o choque nos preços do petróleo, e a fatores internos, com destaque para o elevado endividamento das famílias e o impacto dos juros altos sobre o consumo e o crédito. A estimativa ficou próxima à projeção do Banco Central do Brasil, mas abaixo das expectativas do mercado financeiro e do Ministério da Fazenda. O relatório também revisou para baixo a previsão de crescimento da América Latina e do Caribe, de 2,3% para 2,1%, em um contexto de maior cautela diante dos efeitos econômicos e fiscais da alta do petróleo.

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