OVERVIEW – 19.06.2026

UM OLHO NO BRASIL

IPCA sobe 0,58% em maio e acumula alta de 4,72% em 12 meses O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira (12) que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,58% em maio, desacelerando em relação à alta de 0,67% registrada em abril. Com o resultado, o índice acumula alta de 3,20% no ano e de 4,72% em 12 meses, acima dos 4,39% observados no período imediatamente anterior. O resultado foi pressionado principalmente pelo grupo Alimentação e bebidas, enquanto Transportes ajudou a conter uma alta mais intensa do índice, refletindo o recuo dos combustíveis no período. Apesar da desaceleração mensal, a inflação acumulada em 12 meses voltou a se afastar do centro da meta, mantendo o tema no centro das atenções para a condução da política monetária.

Setor de serviços cresce 1,2% em abril e recupera perdas de março – O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira (11) que o volume de serviços no Brasil avançou 1,2% em abril, após queda de 1,1% em março. Foi a primeira alta do setor em seis meses, deixando a atividade 19,9% acima do nível pré-pandemia e apenas 0,3% abaixo do topo da série histórica, alcançado em outubro de 2025. Na comparação com abril de 2025, o setor cresceu 1,9%, enquanto no acumulado do ano avançou 2,2% e, em 12 meses, 2,9%. O resultado foi acompanhado por todas as cinco atividades pesquisadas, com destaque para transportes. Apesar da recuperação no mês, o setor ainda opera em um ambiente de juros elevados, que pode limitar uma aceleração mais forte da atividade nos próximos períodos.

Banco Mundial revisa para baixo projeção do PIB do Brasil em 2026 – O Banco Mundial revisou nesta semana sua estimativa de crescimento para a economia brasileira em 2026, passando de 2,0% para 1,9%. Para 2027, a projeção também foi reduzida, de 2,3% para 2,0%. A revisão ocorre em um cenário de juros ainda elevados, inflação acima da meta e desaceleração esperada do consumo, fatores que tendem a limitar uma aceleração mais forte do PIB. O dado reforça uma leitura de crescimento mais contido para a economia brasileira no curto prazo, em linha com o cenário de política monetária restritiva e maior cautela nas projeções globais.

IGP-DI desacelera em maio, mas fica acima do esperado A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou nesta terça-feira (09) que o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 0,87% em maio, desacelerando em relação à alta de 2,41% registrada em abril. Apesar da perda de força, o resultado ficou acima da expectativa do mercado, que projetava avanço de 0,77%. Com o dado, o índice acumula alta de 3,82% no ano e de 2,53% em 12 meses. A desaceleração foi influenciada principalmente pelo menor ritmo dos preços ao produtor, com o IPA passando de 3,09% em abril para 0,95% em maio, enquanto o IPC e o INCC também perderam força no período. O resultado indica alívio em relação ao mês anterior, mas ainda mostra pressões relevantes em alguns componentes de custos, mantendo a atenção sobre a dinâmica dos preços no atacado.

Fluxo cambial brasileiro fica positivo em US$ 743 milhões em maio – O Banco Central divulgou nesta quarta-feira (03) que o fluxo cambial brasileiro registrou entrada líquida de US$ 743 milhões em maio. O resultado foi sustentado pelo canal comercial, que apresentou saldo positivo de US$ 8,653 bilhões no mês, enquanto o canal financeiro registrou saída líquida de US$ 7,910 bilhões. No acumulado de 2026 até maio, o fluxo cambial total ficou positivo em US$ 14,051 bilhões, refletindo superávit de US$ 24,306 bilhões no fluxo comercial e saída líquida de US$ 10,254 bilhões pelo canal financeiro. Os dados mostram que o fluxo comercial continuou contribuindo para a entrada de divisas no país, enquanto o canal financeiro seguiu no campo negativo, em meio a um ambiente de maior seletividade dos investidores.

…E OUTRO NO MUNDO

Fed mantém juros nos EUA e reforça cautela com inflação – O Federal Reserve decidiu nesta quarta-feira (17) manter a taxa de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano, em decisão amplamente esperada pelo mercado. No comunicado, a autoridade monetária destacou que a atividade econômica segue em expansão sólida, enquanto a inflação permanece elevada em relação à meta de 2%. O comitê também reafirmou o compromisso com a estabilidade de preços e o pleno emprego, indicando que seguirá avaliando os próximos indicadores antes de alterar a condução da política monetária. Para os mercados, a manutenção dos juros reforça um cenário de cautela nos Estados Unidos, com reflexos sobre a curva de juros global, o dólar e o fluxo de recursos para economias emergentes.

Inflação da zona do euro acelera para 3,2% em maio – A Eurostat divulgou nesta quarta-feira (17) que a inflação anual ao consumidor da zona do euro subiu para 3,2% em maio, ante 3,0% em abril. Na União Europeia, o índice também acelerou, passando de 3,2% para 3,3% no período. A alta foi influenciada principalmente pelos preços de serviços, alimentos, álcool e tabaco, que seguiram pressionando o índice. O resultado reforça a cautela em relação à trajetória da inflação no bloco e mantém a atenção dos mercados sobre os próximos passos do Banco Central Europeu, especialmente após a recente elevação dos juros na região.

Produção industrial da China cresce, mas varejo recua em maio – O Escritório Nacional de Estatísticas da China divulgou nesta terça-feira (16) que a produção industrial do país avançou 4,5% em maio, na comparação com o mesmo mês de 2025, acima do resultado de abril e das expectativas do mercado. Por outro lado, as vendas no varejo recuaram 0,6% no período, registrando a primeira queda em mais de três anos e sinalizando fragilidade do consumo doméstico. Em conjunto, os dados mostram uma economia chinesa ainda desigual, com melhor desempenho da indústria, especialmente em setores de maior valor agregado, enquanto a demanda interna segue pressionada. O resultado reforça a atenção sobre o ritmo de recuperação da China e a possibilidade de novas medidas de estímulo à atividade nos próximos meses.

Banco do Japão eleva juros e sinaliza cautela com inflação – O Banco do Japão elevou nesta terça-feira (16) sua taxa básica de juros para 1,00%, maior patamar em 31 anos. A decisão reflete a preocupação da autoridade monetária com a inflação acima da meta de 2%, em um cenário de iene enfraquecido, alta do petróleo e incertezas geopolíticas no Oriente Médio. O banco central também indicou que pode continuar ajustando os juros caso as pressões inflacionárias persistam, marcando uma mudança gradual na política monetária japonesa após anos de juros muito baixos. Para os mercados, o movimento chama atenção pelos possíveis efeitos sobre o câmbio, os fluxos globais de capital e o custo de financiamento internacional.

EUA e Irã adiam diálogo e ampliam incertezas sobre trégua – As negociações entre Estados Unidos e Irã, que estavam previstas para ocorrer nesta sexta-feira (19) na Suíça, foram adiadas, aumentando as incertezas sobre a consolidação de uma trégua no Oriente Médio. O adiamento ocorreu em meio à continuidade das tensões na região e à falta de consenso sobre pontos ligados ao programa nuclear iraniano, à segurança regional e ao transporte de energia. Para os mercados, a indefinição mantém o tema no radar, principalmente pelo impacto potencial sobre os preços do petróleo, as cadeias globais de energia e a percepção de risco no cenário internacional.

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