Overview – 24.10.25

PRINCIPAIS DESTAQUES

  • IPCA-15 desacelera em outubro e volta ao nível abaixo de 5% em 12 meses;
  • Entrada de investimento produtivo no Brasil atinge maior nível em quase três décadas;
  • Governo enfrenta desafio fiscal e precisa reverter déficit no fim do ano para cumprir meta;
  • Crescimento da economia chinesa supera projeções, mas ritmo segue moderado;
  • Atividade da zona do euro acelera em outubro com avanço no setor de serviços;
  • Inflação dos EUA mostra alívio em setembro e reforça expectativa de estabilidade monetária.

UM OLHO NO BRASIL
Lula sinaliza reunião aberta com Trump e busca recompor relação bilateral. Em declaração nesta sexta-feira (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo brasileiro está disposto a retomar o diálogo com os Estados Unidos, destacando que eventuais conversas com o presidente Donald Trump deverão ocorrer de forma aberta e sem restrições de temas. Lula ressaltou que o Brasil pretende discutir o conjunto das relações bilaterais, com foco na revisão das tarifas impostas a produtos brasileiros e na ampliação da cooperação econômica. Segundo o presidente, o país buscará defender seus interesses comerciais e superar divergências recentes, reafirmando o compromisso com uma relação baseada na transparência e no respeito mútuo. Lula também enfatizou a importância de preservar a soberania nacional e de promover soluções conjuntas para questões regionais e de segurança, reforçando a preferência por ações coordenadas entre países em vez de medidas unilaterais. O governo avalia que a reaproximação diplomática com Washington é essencial para restabelecer um ambiente de cooperação e previsibilidade nas relações bilaterais.

IPCA-15 desacelera em outubro e volta ao nível abaixo de 5% em 12 meses. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou variação de 0,18% em outubro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mostra perda de ritmo em relação a setembro, quando o indicador havia subido 0,48%, e ficou ligeiramente abaixo das projeções do mercado. No acumulado de 12 meses, a inflação recuou para 4,94%, voltando a ficar abaixo do patamar de 5%. A desaceleração foi influenciada principalmente pelo recuo nas tarifas de energia elétrica, após a redução da bandeira tarifária, que diminuiu o custo das contas de luz e amenizou o impacto do grupo Habitação. Em contrapartida, o grupo Transportes voltou a exercer pressão sobre o índice, impulsionado pela alta dos combustíveis e das passagens aéreas. A alimentação apresentou estabilidade no mês, com recuos em itens como arroz, cebola e ovos, compensando altas pontuais em produtos como frutas e óleo de soja. No acumulado do ano, o IPCA-15 mostra avanço de 3,94%.

Entrada de investimento produtivo no Brasil atinge maior nível em quase três décadas. O Banco Central informou nesta sexta-feira (24) que o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) totalizou US$ 10,7 bilhões em setembro, alcançando o maior valor já registrado para o mês desde o início da série histórica, em 1995. O resultado representa avanço expressivo frente aos US$ 3,9 bilhões observados no mesmo período de 2024, impulsionado pelo aumento das participações de capital e dos lucros reinvestidos por empresas estrangeiras. Do total, US$ 8,8 bilhões referem-se a participações no capital, sendo US$ 4,2 bilhões em novos aportes e US$ 4,6 bilhões em reinvestimentos, enquanto as operações intercompanhia somaram US$ 1,9 bilhão. Nos últimos 12 meses, o IDP acumulado atingiu US$ 75,8 bilhões, o equivalente a 3,47% do PIB, indicando maior fluxo de capital voltado a projetos de longo prazo no país. Entre janeiro e setembro, as entradas líquidas somaram US$ 63,3 bilhões, o melhor desempenho desde 2022. Apesar da expansão dos investimentos produtivos, as contas externas registraram déficit de US$ 9,8 bilhões no mês, reflexo das remessas de lucros e dividendos e da elevação das despesas com serviços no exterior.

Governo enfrenta desafio fiscal e precisa reverter déficit no fim do ano para cumprir meta. De acordo com o Relatório de Acompanhamento Fiscal divulgado nesta quinta-feira (23) pela Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal, o governo deverá alcançar superávit primário de R$ 27,1 bilhões no último trimestre de 2025 para atingir o limite mínimo da meta fiscal do ano, que permite déficit de até R$ 31 bilhões. Até setembro, o resultado primário do governo central acumulava déficit de R$ 58,1 bilhões. A IFI avalia que o cumprimento da meta tornou-se mais difícil após a rejeição, pelo Congresso, da Medida Provisória nº 1.303, que previa aumento temporário do IOF e poderia elevar a arrecadação em aproximadamente R$ 10,6 bilhões ainda neste exercício. Sem essa receita adicional, o governo poderá ser forçado a anunciar novo contingenciamento no relatório de receitas e despesas previsto para o fim de novembro. Além da frustração de receitas, o desempenho das estatais, especialmente dos Correios, tende a pressionar as contas públicas e ampliar o risco de descumprimento da meta. Para a IFI, o cenário reforça a necessidade de ajustes fiscais adicionais e maior controle do gasto público para garantir equilíbrio orçamentário no fechamento de 2025.

Projeções do mercado indicam nova redução nas expectativas de inflação para 2025. O Relatório Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (20) mostrou nova revisão nas projeções de mercado para a inflação deste ano, que passou de 4,72% para 4,70%, registrando a quarta queda consecutiva. Para 2026, a estimativa recuou de 4,28% para 4,27%, enquanto as projeções para 2027 e 2028 caíram para 3,83% e 3,60%, respectivamente. A mediana das expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2025 subiu ligeiramente de 2,16% para 2,17%, sinalizando expectativa de crescimento moderado. Já a taxa Selic foi mantida em 15% pela 17ª semana seguida, refletindo a percepção de estabilidade monetária no curto prazo. No câmbio, o mercado projeta dólar em R$ 5,45 ao final de 2025 e em R$ 5,50 para 2026.

OUTRO NO MUNDO
Crescimento da economia chinesa supera projeções, mas ritmo segue moderado. O Escritório Nacional de Estatísticas da China informou nesta segunda-feira (20) que o Produto Interno Bruto (PIB) do país avançou 4,8% no terceiro trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior, ligeiramente acima das estimativas do mercado, que apontavam alta de 4,7%. Na comparação trimestral, a expansão foi de 1,1%, superando a expectativa de 0,8%. Apesar do resultado acima do previsto, o dado confirma perda de fôlego em relação ao crescimento de 5,2% observado no trimestre anterior. A indústria e as exportações permaneceram como principais motores da economia, enquanto o consumo doméstico e o investimento privado seguiram enfraquecidos. Pequim manteve medidas de estímulo fiscal e monetário, mas seus efeitos vêm diminuindo diante das pressões deflacionárias e da crise imobiliária prolongada. No cenário externo, as tensões comerciais com os Estados Unidos permanecem elevadas, após novas ameaças de aumento de tarifas sobre produtos chineses, o que pode limitar o desempenho das exportações nos próximos meses.

Atividade da zona do euro acelera em outubro com avanço no setor de serviços. A prévia do PMI Composto da zona do euro (S&P Global/HCOB) subiu de 51,2 em setembro para 52,2 em outubro, máxima em 17 meses. O avanço foi puxado por serviços, cujo índice passou de 51,3 para 52,6, enquanto a indústria foi de 49,8 para 50,0, na linha que separa contração de expansão. O resultado sugere continuidade de uma recuperação gradual, amparada sobretudo pela demanda doméstica, ainda que o ritmo permaneça moderado e dependente de condições monetárias e fiscais favoráveis.

Inflação dos EUA mostra alívio em setembro e reforça expectativa de estabilidade monetária. O Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) informou nesta sexta-feira (24) que o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos avançou 0,3% em setembro, abaixo da projeção de 0,4% do mercado e do mesmo ritmo observado em agosto (0,4%). Em 12 meses, o índice acumula alta de 3,0%, ligeiramente inferior à estimativa de 3,1%. O núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, subiu 0,2% no mês, mantendo a trajetória de desaceleração observada desde o início do semestre. O principal impacto veio do aumento de 4,1% nos combustíveis, enquanto os preços de alimentos avançaram 0,2%. Em contrapartida, seguros de veículos e serviços de comunicação registraram queda. O resultado confirma a perda de força das pressões inflacionárias e reforça a expectativa de que o Federal Reserve mantenha os juros estáveis nas próximas reuniões, à medida que o processo de desinflação se consolida e a economia exibe sinais de moderação.

Setor privado dos EUA mostra expansão consistente no início do quarto trimestre. De acordo com dados preliminares divulgados nesta quinta-feira (23) pela S&P Global, o PMI Composto dos Estados Unidos avançou de 53,9 em setembro para 54,8 pontos em outubro, registrando o maior nível em quatro meses. O crescimento foi impulsionado pelo setor de serviços, cujo índice subiu para 55,2 pontos, enquanto a indústria permaneceu em expansão moderada, em 51,0 pontos. Apesar do resultado positivo, o relatório apontou maior preocupação com as tarifas e a desaceleração das exportações, com o subíndice de pedidos externos recuando para 47,8 pontos. O indicador de emprego avançou para 51,4, refletindo geração de vagas no setor de serviços e estabilidade nas fábricas. A leitura reforça que a economia norte-americana iniciou o quarto trimestre com fôlego, sustentada pelo consumo interno e pelo mercado de trabalho aquecido, ainda que custos elevados e a incerteza comercial sigam limitando as perspectivas para os próximos meses.

Trump reforça defesa de tarifas ao Brasil e cita impacto positivo sobre pecuária americana. Em declarações publicadas nesta quarta-feira (22) na rede Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender a política de tarifas sobre produtos agropecuários importados, destacando o Brasil entre os países afetados pela taxa de 50% aplicada sobre o gado. Segundo ele, as medidas contribuíram para impulsionar a rentabilidade do setor pecuário norte-americano, que, segundo suas palavras, vive “o melhor momento em décadas”. A tarifa integra o pacote de restrições comerciais anunciado anteriormente pelo governo, que também abrange aço, alumínio, automóveis e têxteis. Trump afirmou ainda que as tarifas “salvaram os pecuaristas” e pediu que o setor reduza preços internos, ressaltando a importância do consumidor para a economia. Embora não haja confirmação oficial de novo encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o tema comercial segue entre as prioridades da agenda bilateral.

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