UM OLHO NO BRASIL
IPCA-15 sobe 0,70% em setembro e volta a pressionar a inflação — Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o indicador acelerou após recuar 0,40% em agosto. Com o resultado, acumula alta de 3,82% no ano e de 4,47% em 12 meses, acima dos 4,24% registrados no período anterior. A variação mensal também superou a expectativa mediana do mercado, de 0,55%. Os nove grupos pesquisados tiveram alta, com destaque para Habitação, que avançou 2,07%; o fim do efeito do Bônus de Itaipu sobre a energia elétrica contribuiu para a pressão.
BC eleva para 90% a chance de a inflação superar o teto da meta em 2026 — No Relatório de Política Monetária divulgado nesta semana, o Banco Central aumentou de 79% para 90% a probabilidade de o IPCA ultrapassar o teto de 4,5% neste ano. O cenário considera uma projeção de inflação de 5,2% para 2026. Ao mesmo tempo, o BC reduziu sua estimativa de crescimento do PIB de 2,0% para 1,8%, sinalizando uma atividade menos forte em um ambiente em que a inflação ainda preocupa.
Ata do Copom mantém cautela sobre os próximos passos da Selic — Na ata da 281ª reunião, o Comitê detalhou a decisão de reduzir a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. O documento apontou moderação da atividade econômica e desaceleração da inflação, mas ressaltou que as expectativas seguem elevadas e que há incertezas no cenário interno e externo. Por isso, o Copom afirmou que os próximos passos dependerão da evolução dos dados e que a política monetária deverá permanecer restritiva pelo tempo necessário para levar a inflação à meta.
Confiança do consumidor recua pelo quinto mês consecutivo — O Índice de Confiança do Consumidor da FGV IBRE caiu 0,5 ponto em setembro, para 84,2 pontos, o menor nível desde novembro de 2022. A queda foi puxada pela piora das expectativas para os próximos meses: esse componente recuou 0,9 ponto, enquanto a avaliação da situação atual teve leve alta, de 0,2 ponto. A sequência de recuos sugere que o otimismo das famílias continua frágil, em meio ao crédito caro e ao elevado endividamento.
Fluxo cambial tem saída líquida de US$ 7,078 bilhões em setembro até o dia 18 — Dados preliminares do Banco Central mostraram que o resultado negativo foi concentrado no canal financeiro, que registrou saída líquida de US$ 6,839 bilhões. O canal comercial também ficou negativo, em US$ 240 milhões, e, entre os dias 14 e 18, a saída total foi de US$ 1,091 bilhão. Apesar do saldo negativo em setembro, o fluxo cambial acumulava resultado positivo de US$ 8,714 bilhões no ano até o dia 18. A saída de recursos pelo canal financeiro mantém o câmbio no radar dos investidores, embora o fluxo, isoladamente, não determine a cotação do dólar.
…E OUTRO NO MUNDO
Atividade empresarial dos EUA atinge maior nível em 62 meses, mas pressões inflacionárias aumentam – A S&P Global informou nesta quarta-feira (23) que o PMI composto dos Estados Unidos subiu de 56,0 em agosto para 58,4 em setembro, alcançando o maior nível em 62 meses. O resultado foi impulsionado pela expansão dos setores de serviços e indústria e superou as expectativas do mercado. A pesquisa também apontou gargalos nas cadeias de oferta e aumento dos preços, fatores que mantêm as pressões inflacionárias no radar dos investidores e podem influenciar as próximas decisões do Federal Reserve.
Rendimentos dos títulos dos EUA avançam a máximas de décadas – A venda global de títulos públicos se intensificou nesta semana, com o rendimento dos papéis americanos de 10 anos chegando a 5,22%, maior nível desde 2007, e o dos títulos de 30 anos alcançando 5,50%, máxima desde 2004. O movimento refletiu a aceleração da atividade nos Estados Unidos, a alta do petróleo e os receios de inflação, reforçando as apostas de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve. Rendimentos maiores pressionam as bolsas e elevam os custos de financiamento nos mercados globais.
EUA e China estendem trégua comercial até janeiro, mas cúpula termina sem avanços amplos – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu o presidente chinês, Xi Jinping, na Casa Branca nesta quinta-feira (24). Apesar das conversas sobre comércio, inteligência artificial e questões geopolíticas, não houve indicação de avanços concretos nos principais pontos de divergência entre os países. Antes da cúpula, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que os dois lados haviam concordado em prorrogar até 10 de janeiro o acordo que suspende a guerra comercial. A extensão reduz o risco de uma retomada imediata das tensões tarifárias, mas mantém incertezas sobre as relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo.
Atividade econômica da zona do euro acelera em setembro – A S&P Global, em parceria com o Hamburg Commercial Bank (HCOB), informou nesta quarta-feira (23) que o PMI composto preliminar da zona do euro avançou de 52,0 em agosto para 53,1 em setembro, atingindo o maior nível em 41 meses. O resultado superou as expectativas dos analistas e foi impulsionado pelo setor de serviços, cujo índice subiu para 53,0. O PMI industrial permaneceu em 52,7. Leituras acima de 50 indicam expansão da atividade econômica.
Petróleo recua com expectativa de trégua entre EUA e Irã, mas riscos de oferta persistem – Os preços do petróleo recuaram nesta sexta-feira (25), com investidores avaliando a possibilidade de um acordo entre Estados Unidos e Irã. As negociações poderiam levar à reabertura do Estreito de Ormuz e ao fim do bloqueio econômico americano ao Irã. Por outro lado, ataques houthis contra a Arábia Saudita mantiveram as preocupações com o abastecimento e a volatilidade da commodity.
