PRINCIPAIS DESTAQUES
IPCA-15 registra deflação de 0,14% em agosto;
Dívida pública sobe para 77,6% do PIB em julho;
Confiança do consumidor recua em agosto com piora das expectativas;
PIB dos EUA cresce 3,3% no 2º trimestre;
Ata do BCE revela divisão entre os membros sobre riscos inflacionários;
Inflação PCE nos EUA avança 2,6% em julho, em linha com o esperado.
UM OLHO NO BRASIL
Lula afirma não ter pressa em responder às tarifas dos EUA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, nesta sexta-feira (29), que o Brasil não pretende adotar medidas imediatas de reciprocidade após a decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros. Na entrevista, Lula assegurou que seu principal objetivo é encontrar uma solução negociada para o atrito comercial com os EUA, embora tenha afirmado não haver, no momento, disposição de Washington para negociar.
Confiança do consumidor recua em agosto com piora das expectativas. Conforme dados publicados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta segunda-feira (25), o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu de 86,7 pontos em julho para 86,2 pontos em agosto, interrompendo a sequência de dois meses de alta. O recuo foi motivado pela piora das expectativas em relação ao futuro da economia e do mercado de trabalho, enquanto as avaliações sobre a situação atual apresentaram leve melhora. De acordo com a FGV, os resultados sugerem um quadro de cautela e preocupação com o futuro, tendo em vista, principalmente, os altos níveis de endividamento e inadimplência das famílias.
IPCA-15 registra deflação de 0,14% em agosto. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (26), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) recuou 0,14% em agosto, após avançar 0,33% em julho. Com o resultado, o índice acumula alta de 3,26% no ano e de 4,95% em 12 meses, abaixo dos 5,30% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Essa foi a primeira taxa negativa desde julho de 2023, quando havia recuado 0,07%. Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, quatro registraram queda em seus preços: Habitação (-1,13%), Alimentação e bebidas (-0,53%), Transportes (-0,47%) e Comunicação (-0,17%). Apesar do alívio no mês, o Relatório Focus mais recente, divulgado na última segunda-feira (25), projeta o IPCA em 4,86% para o fechamento de 2025, ainda acima da meta do Banco Central.
Dívida pública sobe para 77,6% do PIB em julho. De acordo com dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (29), a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingiu 77,6% do PIB em julho, frente a 76,6% em junho, totalizando cerca de R$ 9,6 trilhões. A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) também avançou, passando de 62,9% para 63,7% do PIB, somando R$ 7,8 trilhões. Os resultados vieram acima das expectativas da pesquisa Reuters, que projetava 77,0% para a dívida bruta e 63,4% para a dívida líquida.
Setor público registra déficit de R$ 66,6 bilhões em julho. O Banco Central informou nesta sexta-feira (29), que o setor público consolidado, que inclui União, estados, municípios e estatais, apresentou déficit primário de R$ 66,6 bilhões em julho. Em julho de 2024, o resultado havia sido deficitário em R$ 21,3 bilhões. Em doze meses, o setor público consolidado acumulou déficit primário de R$27,3 bilhões, 0,22% do PIB, ante superávit de R$17,9 bilhões, 0,15% do PIB, nos doze meses acumulados até junho.
OUTRO NO MUNDO
Ata do BCE revela divisão entre os membros sobre riscos inflacionários. O Banco Central Europeu (BCE) divulgou nesta quinta-feira (28) a ata da reunião de política monetária, ocorrida nos dias 23 e 24 de julho, evidenciando divergências entre os membros do Conselho. Na ocasião, o BCE manteve sua taxa básica de juros em 2% ao ano. Acerca da trajetória da inflação, parte dos dirigentes avaliou que a manutenção da taxa básica em 2% era condizente com a inflação em linha com a meta enquanto outros alertaram para pressões persistentes no setor de serviços e potenciais efeitos de segunda ordem. O documento também destacou a resiliência do mercado de trabalho e a volatilidade nos preços de energia como fatores de incerteza. Assim, prevaleceu a decisão de manter os juros estáveis, com sinalização de monitoramento constante, reforçando que eventuais cortes adicionais em 2025 dependerão da evolução dos próximos indicadores econômicos.
PIB dos EUA cresce 3,3% no 2º trimestre. Conforme dados divulgados pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos nesta quinta-feira (28), o Produto Interno Bruto (PIB) do país avançou 3,3% no segundo trimestre de 2025, acima da expectativa de 2,8% dos analistas. O resultado foi impulsionado principalmente a queda das importações com o tarifaço imposto aos parceiros comerciais dos Estados Unidos, que entram negativamente no cálculo do PIB, e pela maior força do consumo das famílias. A última estimativa do PIB mostra que a economia se recuperou fortemente da queda de 0,5% no primeiro trimestre. O dado reforça o desafio do Federal Reserve em calibrar o início do ciclo de cortes de juros, diante de uma atividade ainda aquecida e de pressões inflacionárias persistentes.
Inflação PCE nos EUA avança 2,6% em julho, em linha com o esperado. O Departamento de Comércio dos Estados Unidos informou nesta sexta-feira (29) que o Índice de preços (PCE), subiu a taxa anualizada de 2,6% em julho. Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o núcleo da inflação também avançou na base anual, para 2,9%. Na leitura mensal, tanto o índice cheio quanto o núcleo registraram alta, avançando 0,2% e 0,3%, respectivamente. Em julho, a medida de inflação preferida do Federal Reserve veio conforme as expectativas do mercado. O resultado reforça a leitura de moderação gradual das pressões inflacionárias, mas ainda em patamar acima da meta de 2% do Fed, mantendo a cautela da autoridade monetária quanto ao início do ciclo de cortes de juros previsto para 2025.
Primeiro-ministro da Índia visita China em meio à guerra tarifária com os EUA. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, está realizando sua primeira visita à China em sete anos para participar da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), em Tianjin, nos dias 31 de agosto e 1º de setembro. A reaproximação ocorre em resposta às tarifas de até 50% impostas pelos Estados Unidos sobre exportações da Índia, o que levou o governo a diversificar suas alianças e fortalecer laços com potências asiáticas. No encontro, Modi se reunirá com Xi Jinping e Vladimir Putin, num momento em que a China busca se posicionar como parceira estável e a Índia reforça sua autonomia estratégica em meio à crescente pressão de Washington. A cooperação bilateral pode incluir reabertura de rotas aéreas e fronteiriças, além de facilitação no comércio de produtos estratégicos como fertilizantes e minerais raros.
Expectativas de inflação da zona do euro permanecem em 2,6% em julho. Segundo pesquisa divulgada pelo Banco Central Europeu (BCE) nesta sexta-feira (29), as expectativas de inflação dos consumidores para os próximos 12 meses mantiveram‑se em 2,6%, mesmo valor registrado em junho. Para o horizonte de três anos, as projeções subiram ligeiramente, para 2,5%, enquanto as expectativas de cinco anos permaneceram estáveis em 2,1%. O levantamento ainda indicou que as perspectivas de crescimento do PIB para o próximo ano se deterioraram, com projeção de –1,2%, e que a previsão para a taxa de desemprego aumentou para 10,6%. Esses dados sugerem que, apesar das expectativas de inflação ainda estarem acima da meta de 2% do BCE, o otimismo econômico segue moderado e sinaliza cautela sobre ajustes na política monetária.
