Overview – 03.10.25

PRINCIPAIS DESTAQUES
Dívida pública bruta do Brasil fica em 77,5% do PIB em agosto;
Taxa de desemprego se mantém em 5,6% no trimestre até agosto, menor nível desde 2012;
Setor de serviços do Brasil intensifica contração em setembro, aponta PMI;
Governo dos EUA paralisa atividades após impasse no orçamento;
PMI industrial da China sobe para 51,2 em setembro, sinalizando expansão;
UE prepara corte em cotas de importação de aço e tarifa extra de 50%.

UM OLHO NO BRASIL
Brasil cria 147 mil empregos formais em agosto. Segundo dados divulgados nesta segunda-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foram criadas 147.358 vagas com carteira assinada em agosto, resultado 38,4% inferior às 239 mil vagas registradas no mesmo mês de 2024. No acumulado de janeiro a agosto, o saldo chega a 1,50 milhão de empregos, mostrando moderação em relação ao ritmo observado no ano anterior. O setor de Serviços liderou a criação de vagas (+81 mil), enquanto a Agropecuária foi o único segmento em retração, com –2,6 mil postos. O desempenho reforça a perda de fôlego do mercado de trabalho nacional em cenário de juros elevados.

Dívida pública bruta do Brasil fica em 77,5% do PIB em agosto. O Banco Central informou nesta terça-feira (30) que a dívida bruta do governo geral permaneceu em 77,5% do PIB em agosto, estável em relação a julho e ligeiramente abaixo da expectativa do mercado, que projetava 78%. A dívida líquida avançou para 64,2% do PIB, frente a 63,6% no mês anterior. No período, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 17,3 bilhões, melhor que a projeção de R$ 21 bilhões, resultado de saldo negativo do governo central (R$ 15,9 bilhões), de estados e municípios (R$ 1,3 bilhão) e das estatais (R$ 6 milhões).

Taxa de desemprego se mantém em 5,6% no trimestre até agosto, menor nível da série. O IBGE informou nesta terça-feira (30) que a taxa de desocupação permaneceu em 5,6% no trimestre encerrado em agosto, repetindo o resultado anterior e igualando o menor patamar da série histórica da PNAD Contínua, iniciada em 2012. O contingente de desocupados chegou a 6,1 milhões de pessoas, o menor já registrado, com queda de 9% frente ao trimestre até maio e de 14,6% em relação a 2024. O total de ocupados atingiu 102,4 milhões, com taxa de ocupação de 58,1%, recorde da série. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado também alcançou máxima histórica, com 39,1 milhões. A taxa de subutilização recuou para 14,1%, menor nível desde o início da série, refletindo quedas tanto no contingente de desalentados (2,7 milhões, menor desde 2016) quanto no de subocupados por insuficiência de horas.

Produção industrial no Brasil sobe 0,8% em agosto, acima do esperado. O IBGE informou nesta sexta-feira (03) que a produção industrial avançou 0,8% em agosto frente a julho, superando a expectativa de alta de 0,3% e registrando o maior crescimento mensal desde março. Apesar do resultado positivo, a indústria ainda acumula retração de 1,2% nos quatro meses anteriores. Na comparação anual, houve queda de 0,7%. O desempenho foi disseminado, com alta em 16 das 25 atividades, destaque para produtos farmacêuticos (+13,4%), derivados do petróleo (+1,8%) e alimentos (+1,3%). Entre as categorias econômicas, cresceram bens intermediários (+1,0%), bens de consumo semi e não duráveis (+0,9%) e duráveis (+0,6%), enquanto bens de capital recuaram 1,4%. Mesmo com a surpresa positiva, o setor segue enfrentando dificuldades para ganhar tração diante dos juros elevados e do ambiente externo adverso.

Setor de serviços do Brasil intensifica contração em setembro, aponta PMI. A S&P Global informou nesta sexta-feira (03) que o PMI de serviços recuou de 49,3 em agosto para 46,3 em setembro, registrando o sexto mês consecutivo de retração e a queda mais acentuada em quase quatro anos e meio. O recuo reflete a fraqueza da demanda e a continuidade da perda de novos trabalhos, ainda que em ritmo mais moderado. Apesar do cenário negativo, houve leve aumento no emprego pela primeira vez em três meses, enquanto a confiança empresarial permaneceu positiva, mas abaixo da média de longo prazo. Com retração também na indústria, o PMI Composto caiu de 48,8 para 46,0, apontando a contração mais intensa desde 2020.

OUTRO NO MUNDO
Governo dos EUA paralisa atividades após impasse no orçamento. Nesta quarta-feira (01), o governo americano entrou em shutdown após o Congresso não aprovar a extensão do financiamento federal. A paralisação suspende parte dos serviços públicos e coloca milhares de servidores em licença, enquanto apenas áreas consideradas essenciais, como segurança e controle aéreo, seguem em funcionamento. O impasse político, marcado por divergências entre republicanos e democratas em torno de programas de saúde e cortes de gastos, aumenta a incerteza sobre a economia e pode atrasar a divulgação de indicadores oficiais.

PMI industrial da China sobe para 51,2 em setembro, sinalizando expansão. O PMI do setor manufatureiro chinês, divulgado pela S&P Global, avançou de 50,5 em agosto para 51,2 em setembro, registrando o segundo mês consecutivo acima de 50 pontos e sinalizando retomada da atividade industrial. O resultado foi impulsionado pelo aumento dos novos pedidos, inclusive de exportação, e refletiu aceleração da produção. No setor de serviços, o índice recuou de 53,0 para 52,9 pontos, movimento explicado por crescimento mais moderado da demanda doméstica e custos mais elevados, mas manteve-se em território de expansão pelo 21º mês consecutivo.

Inflação da zona do euro sobe para 2,2% em setembro. A Eurostat informou nesta quarta-feira (01) que o índice de preços ao consumidor da zona do euro avançou 2,2% em setembro na comparação anual, após alta de 2,0% em agosto. Na base mensal, houve variação positiva de 0,1%. O núcleo da inflação ficou em 2,3% em 12 meses, repetindo o resultado do mês anterior. O aumento foi influenciado sobretudo pela alta nos preços de energia e serviços, enquanto alimentos e bens industriais exerceram pressões mais moderadas.

UE prepara corte em cotas de importação de aço e tarifa extra de 50%. A Comissão Europeia anunciou nesta quarta-feira (01) que apresentará, em 7 de outubro, um novo pacote de medidas para o setor siderúrgico. O plano prevê reduzir quase pela metade as cotas de importação de aço e aplicar tarifa de 50% sobre volumes que ultrapassarem esse limite. A iniciativa busca alinhar a política comercial do bloco às práticas de parceiros como Estados Unidos e Canadá e responde ao excesso de capacidade global, sobretudo da China, em um esforço para proteger a indústria europeia de concorrência desleal.

Putin promete resposta rápida a provocações da Europa. Nesta quinta-feira (02), durante discurso no fórum Valdai em Sóchi, o presidente russo Vladimir Putin afirmou que a Rússia reagirá de forma imediata caso considere provocada por países europeus. Segundo ele, membros da Otan estariam diretamente envolvidos no conflito ao fornecer armas, inteligência e treinamento à Ucrânia. Putin disse que as tropas russas seguem avançando na frente de batalha e negou intenção de atacar diretamente a OTAN, mas criticou o que chamou de “militarização histérica” da Europa, advertindo que “a resposta não demorará a chegar”.

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