Index – 28.08.26

IPCA-15 registra deflação de 0,40% em agosto e acumula alta de 4,24% em 12 meses

Conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (26), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), indicador que antecipa a inflação oficial, registrou queda de 0,40% em agosto de 2026, após alta de 0,06% em julho. No acumulado do ano, o índice registra alta de 3,09% e, em 12 meses, avanço de 4,24%, abaixo dos 4,52% observados no período imediatamente anterior. Foi a primeira deflação registrada pelo IPCA-15 desde agosto de 2025.

Na abertura do indicador, cinco dos nove grupos pesquisados apresentaram queda em agosto. As principais contribuições negativas vieram de Habitação (-1,41%), com impacto de -0,22 ponto percentual (p.p.); Transportes (-1,00%), com contribuição de -0,20 p.p.; e Alimentação e bebidas (-0,57%), com impacto de -0,12 p.p. Também registraram recuo os grupos Vestuário (-0,20%) e Comunicação (-0,02%). Em sentido contrário, avançaram Despesas pessoais (0,66%), Educação (0,46%), Saúde e cuidados pessoais (0,40%) e Artigos de residência (0,04%).

Em Habitação, o principal destaque foi a energia elétrica residencial, que apresentou queda de 6,25% em agosto, influenciada principalmente pela incorporação do Bônus de Itaipu nas faturas de energia. O benefício reduziu temporariamente o valor pago pelos consumidores e exerceu influência relevante sobre o resultado do índice no período. Dessa forma, parcela importante da deflação observada no mês está associada a um efeito pontual sobre as tarifas de energia.

O grupo Transportes também exerceu pressão negativa relevante sobre o IPCA-15, ao passar de alta de 0,11% em julho para queda de 1,00% em agosto. O movimento foi influenciado principalmente pelas reduções observadas nos preços das passagens aéreas e dos combustíveis, contribuindo para ampliar a deflação registrada no período.

Já Alimentação e bebidas apresentou queda de 0,57%, após recuo de 0,66% em julho. A alimentação no domicílio manteve comportamento favorável, com destaque para as reduções nos preços do tomate, da batata-inglesa, da cenoura e do café moído. O movimento contribuiu para o alívio da inflação no mês, especialmente após as pressões observadas sobre os alimentos ao longo do primeiro semestre.

Entre os demais grupos que registraram variação negativa, Vestuário recuou 0,20%, após queda de 0,33% em julho, enquanto Comunicação apresentou redução de 0,02%, mesma variação observada no mês anterior. Embora tenham exercido impactos menores sobre o índice geral, os resultados reforçam a predominância de movimentos de queda entre os grupos pesquisados em agosto.

Em sentido contrário, Despesas pessoais apresentou a maior alta do mês, de 0,66%, seguida por Educação (0,46%) e Saúde e cuidados pessoais (0,40%). Artigos de residência registrou variação mais moderada, de 0,04%. Apesar dessas pressões, os avanços não foram suficientes para compensar as quedas observadas principalmente em Habitação, Transportes e Alimentação e bebidas.

O resultado de agosto melhora a leitura do cenário inflacionário no curto prazo, ao levar o IPCA-15 para patamar inferior ao limite superior de 4,50% do intervalo de tolerância da meta de inflação. Essa comparação, contudo, deve ser feita com cautela, uma vez que a meta perseguida pelo Banco Central tem como referência o IPCA, e não o IPCA-15.

Além disso, parte relevante da deflação mensal decorreu do efeito temporário do Bônus de Itaipu sobre a energia elétrica. Ainda assim, o movimento de queda não ficou restrito a esse componente, alcançando também alimentos, combustíveis e passagens aéreas, o que sinaliza uma composição mais favorável da inflação no curto prazo.

Em relação às expectativas, o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (24) manteve a projeção para o IPCA de 2026 em 5,02%, enquanto a estimativa para 2027 passou de 4,24% para 4,25%. Apesar do resultado mais favorável do IPCA-15, a projeção para a inflação ao final de 2026 permanece acima do limite superior de 4,50% do intervalo de tolerância da meta. Nesse contexto, a evolução dos componentes mais persistentes da inflação seguirá relevante para a condução da política monetária nos próximos meses.

Fonte: IBGE e Banco Central do Brasil.

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