UM OLHO NO BRASIL
Ata do Copom reforça cautela na condução da política monetária – O Banco Central divulgou nesta terça-feira (11) a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária, na qual a Selic foi reduzida de 14,25% para 14,00% ao ano. No documento, o Copom destacou que a inflação ainda segue pressionada pela demanda e que o cenário exige manutenção de uma política monetária em nível restritivo. A autoridade monetária também apontou sinais de moderação da atividade econômica, mas ressaltou a resiliência do mercado de trabalho e a necessidade de acompanhar a evolução das expectativas de inflação. A ata reforça uma postura cautelosa do Banco Central, indicando que novas decisões seguirão dependentes dos dados econômicos.
IPCA desacelera em julho, mas fica acima do esperado – O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou nesta terça-feira (11) que o IPCA avançou 0,07% em julho, abaixo da alta de 0,16% registrada em junho. Apesar da desaceleração, o resultado veio acima das expectativas do mercado. Em 12 meses, a inflação acumulada desacelerou para 4,44%, ante 4,64% no mês anterior. A queda nos preços de alimentos e combustíveis ajudou a conter o índice, reforçando uma leitura mais favorável para a inflação no curto prazo. Ainda assim, o resultado mantém a atenção sobre a condução da política monetária, especialmente diante das expectativas ainda acima da meta.
Setor de serviços avança no segundo trimestre – O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou nesta quarta-feira (12) que o setor de serviços cresceu 0,4% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o trimestre anterior. O resultado indica alguma recuperação da atividade no período, apesar dos sinais de moderação observados em parte dos indicadores mensais. O desempenho do setor segue relevante para a economia brasileira, por sua participação no PIB e no mercado de trabalho. A leitura sugere resiliência da atividade, mas ainda exige acompanhamento diante dos efeitos defasados dos juros elevados sobre consumo, crédito e investimentos.
Vendas no varejo crescem em junho – O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou nesta quinta-feira (13) que o volume de vendas do comércio varejista avançou 0,5% em junho, na comparação com maio, marcando o segundo mês consecutivo de alta. O desempenho foi impulsionado principalmente pelos supermercados, contribuindo para uma leitura mais favorável do consumo no fim do segundo trimestre. Apesar do avanço, o varejo ainda segue condicionado ao comportamento da renda, do crédito e dos juros, fatores que podem limitar uma aceleração mais consistente da demanda doméstica.Estrangeiros retiram recursos da B3 em agosto – Levantamento da Elos Ayta Consultoria, com base em dados da B3, mostrou que investidores estrangeiros retiraram 11,9 bilhões de reais da Bolsa brasileira nos primeiros sete pregões de agosto, até o dia 11, sem considerar aportes em IPOs e follow-ons. O movimento acendeu alerta no mercado por refletir maior cautela com ativos locais, em meio às incertezas fiscais, eleitorais e ao cenário externo mais desafiador. A saída de recursos estrangeiros tende a pressionar o Ibovespa e pode ampliar a volatilidade dos ativos brasileiros no curto prazo.
…E OUTRO NO MUNDO
Inflação dos EUA desacelera em julho – O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos divulgou nesta quarta-feira (12) que o Índice de Preços ao Consumidor avançou 0,1% em julho, após queda registrada em junho, levando a inflação acumulada em 12 meses para 3,4%. O núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, subiu 0,2% no mês e desacelerou para 2,5% em termos anuais. O resultado trouxe alívio parcial às expectativas de juros, ao reduzir a pressão imediata sobre o Federal Reserve, mas ainda exige cautela diante da persistência das pressões inflacionárias e dos riscos ligados ao mercado de trabalho, às tarifas e aos preços de energia.
EUA pagam maior juro em 25 anos para financiar dívida – O Tesouro dos Estados Unidos vendeu nesta quinta-feira (13) 25 bilhões de dólares em títulos de 30 anos, oferecendo rendimento de até 5,22% ao ano, o maior custo para esse tipo de dívida desde 2001. O resultado superou o rendimento de 5,06% observado em operação semelhante realizada em julho e reforçou a preocupação dos investidores com o avanço da dívida pública norte-americana. O movimento pode pressionar os juros de longo prazo, encarecer o financiamento do governo e afetar o apetite por ativos de risco, especialmente em mercados emergentes.
PIB da zona do euro confirma crescimento no segundo trimestre – A Eurostat divulgou nesta sexta-feira (14) que o Produto Interno Bruto da zona do euro cresceu 0,4% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três meses anteriores, confirmando a estimativa inicial. Na comparação anual, o PIB do bloco avançou 1,0% entre abril e junho, em linha com as previsões do mercado. O resultado indica resiliência moderada da atividade econômica na região, embora o crescimento ainda siga condicionado ao ambiente de juros, aos custos de energia e às incertezas no comércio global.
Crédito bancário da China recua em julho – Dados divulgados nesta sexta-feira (14), calculados a partir das informações do Banco do Povo da China, mostraram que os novos empréstimos bancários registraram queda líquida de 340 bilhões de yuans em julho, após expansão de 1,61 trilhão de yuans em junho, ficando abaixo da expectativa de alta de 280 bilhões de yuans, segundo pesquisa do The Wall Street Journal. O resultado reflete, em parte, fatores sazonais, mas também sinaliza demanda doméstica fraca por crédito em meio à crise prolongada do setor imobiliário. A leitura reforça os sinais de recuperação desigual da economia chinesa e mantém a expectativa por novas medidas de estímulo por parte das autoridades.
Conflito entre Estados Unidos e Irã volta a pressionar o petróleo – O conflito entre Estados Unidos e Irã voltou ao foco dos mercados nesta sexta-feira (14), após os EUA ameaçarem manter um bloqueio por tempo indeterminado ao Irã. O movimento ocorre em meio à redução dos fluxos pelo Estreito de Hormuz, rota estratégica que concentrava cerca de um quinto do transporte global diário de petróleo e gás natural liquefeito antes do início do conflito. A escalada aumentou a preocupação com a oferta de energia e levou o petróleo a operar em alta, com expectativa de ganhos na semana. Para os mercados, a continuidade do conflito pode pressionar os custos de energia, afetar a inflação global e influenciar as decisões de política monetária nas principais economias.
