OVERVIEW – 18.09.2026

UM OLHO NO BRASIL

Copom reduz Selic para 13,75% ao ano e mantém cautela sobre próximos cortes – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (16), por unanimidade, reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, marcando o quinto corte consecutivo. Em comunicado, a autoridade monetária destacou que a atividade econômica apresenta sinais de moderação, principalmente nos setores mais sensíveis aos juros, enquanto o mercado de trabalho permanece aquecido. Sobre a inflação, o comitê reconheceu a desaceleração recente, mas ressaltou que os preços ainda permanecem acima da meta de 3%, exigindo cautela na condução da política monetária. O Banco Central também apontou as incertezas no cenário internacional, especialmente relacionadas aos conflitos no Oriente Médio e aos preços das commodities. Apesar da continuidade do ciclo de flexibilização, o Copom não antecipou seus próximos passos, reforçando que novas decisões dependerão da evolução dos indicadores econômicos e das expectativas de inflação.

IBC-Br recua 0,2% em julho e reforça sinais de desaceleração da economia – Segundo dados divulgados nesta quarta-feira (16) pelo Banco Central, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou 0,2% em julho frente a junho, na série com ajuste sazonal, resultado abaixo da expectativa do mercado, que projetava queda de 0,1%. A retração marcou o segundo resultado negativo consecutivo, após o recuo de junho, revisado de 0,6% para 0,8%. Na comparação com julho de 2025, o indicador avançou 1,1%, enquanto o acumulado em 12 meses apresentou crescimento de 1,5%. Entre os setores, a agropecuária registrou queda de 1,15% e a indústria recuou 0,40%, enquanto os serviços permaneceram praticamente estáveis, com variação de -0,01%. Os resultados reforçam os sinais de moderação da atividade econômica brasileira, em um cenário de juros ainda elevados e condições de crédito restritivas, que seguem limitando o consumo e os investimentos.

Vendas no varejo recuam 0,8% em julho e sinalizam enfraquecimento do consumo – Segundo dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgados nesta terça-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de vendas do comércio varejista restrito recuou 0,8% em julho, na comparação com junho. O resultado foi pressionado principalmente pelos segmentos de móveis e eletrodomésticos, com queda de 4,9%, e tecidos, vestuário e calçados, que recuaram 2,7%. Em contrapartida, o comércio varejista ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, avançou 0,4% no período. Na comparação anual, o varejo restrito cresceu 1,2%, acumulando alta de 1,8% em 2026. O desempenho evidencia a perda de força do consumo das famílias, especialmente em setores dependentes de financiamento. Analistas apontam que os juros elevados e o endividamento das famílias continuam restringindo a demanda, contribuindo para a desaceleração da atividade econômica no início do terceiro trimestre.

IGP-M avança 1,47% na segunda prévia de setembro – A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou nesta sexta-feira (18) que o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou alta de 1,47% na segunda prévia de setembro, revertendo a queda de 0,36% observada na mesma leitura de agosto. O resultado foi impulsionado principalmente pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M), que avançou 1,95%, refletindo a retomada das pressões sobre os preços no atacado. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) também apresentou aceleração, passando de queda de 0,49% para alta de 0,47%. Em contrapartida, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) desacelerou de 0,73% para 0,27%. Os dados sinalizam uma retomada das pressões inflacionárias, especialmente nos preços ao produtor, embora o resultado ainda seja preliminar e dependa da divulgação definitiva do indicador.

IFI projeta déficit primário de R$ 86,1 bilhões em 2027, contrariando previsão do governo – A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado Federal, divulgou nesta quinta-feira (17) projeções que apontam para um déficit primário de R$ 86,1 bilhões em 2027, em contraste com o superávit de R$ 18,6 bilhões previsto pelo governo no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA). A diferença de R$ 104,8 bilhões decorre principalmente das distintas premissas macroeconômicas adotadas, com o governo projetando crescimento do PIB de 2,5%, enquanto a IFI estima expansão de 1,8%. O órgão também identifica divergências nas estimativas de receitas e despesas, especialmente nos gastos previdenciários e nas transferências a estados e municípios. Segundo a instituição, o cumprimento da meta fiscal poderá exigir um contingenciamento de R$ 35,7 bilhões em 2027. As projeções reforçam as incertezas sobre a trajetória das contas públicas e a necessidade de acompanhamento da execução orçamentária, diante dos possíveis reflexos sobre a dívida pública e as expectativas para os juros.

…E OUTRO NO MUNDO

Fed eleva juros pela primeira vez desde 2023 e sinaliza nova alta em 2026 – O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu nesta quarta-feira (16) elevar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para o intervalo de 3,75% a 4% ao ano, em decisão unânime. A medida marca a primeira alta desde 2023 e reflete a preocupação da autoridade monetária com a persistência da inflação, que permanece acima da meta de 2%. As novas projeções indicam a possibilidade de mais uma elevação de 0,25 ponto percentual até o final de 2026, enquanto a estimativa para a inflação medida pelo PCE subiu de 3,6% para 3,7% neste ano. Durante a coletiva, o presidente do Fed, Kevin Warsh, destacou a resiliência da atividade econômica e do mercado de trabalho, mas reforçou que a inflação continua sendo o principal desafio. O cenário aponta para a manutenção de uma política monetária mais restritiva, com a expectativa de retorno da inflação à meta apenas em 2029.

Inflação da zona do euro acelera para 3,2% em agosto – Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (17) pela Eurostat, a inflação anual da zona do euro avançou de 2,9% em julho para 3,2% em agosto, ficando abaixo da estimativa preliminar e da expectativa do mercado, ambas de 3,3%. Na comparação mensal, os preços subiram 0,4%, enquanto o núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, desacelerou de 2,5% para 2,4% em 12 meses. Os serviços e a energia foram os principais responsáveis pela pressão inflacionária no período. Apesar de ficar abaixo do esperado, o resultado permanece acima da meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE), reforçando a necessidade de cautela na condução da política monetária após as recentes elevações dos juros na região.

Banco da Inglaterra mantém juros em 3,75% ao ano – O Banco da Inglaterra (BoE) decidiu nesta quinta-feira (17) manter a taxa básica de juros em 3,75% ao ano, em uma votação de seis membros favoráveis à manutenção e três que defenderam uma elevação de 0,25 ponto percentual. A decisão ocorreu em meio à persistência das pressões inflacionárias, com a inflação anual do Reino Unido atingindo 3,1% em agosto, acima da meta de 2%. A autoridade monetária destacou que o prolongamento do conflito no Oriente Médio tem pressionado os preços da energia e ampliado os riscos de uma inflação mais persistente. Apesar disso, as condições restritivas de financiamento e a desaceleração do mercado de trabalho sustentaram a decisão de manter os juros. O banco central sinalizou que poderá adotar novas medidas caso as pressões sobre os preços se intensifiquem, mantendo uma postura cautelosa diante das incertezas econômicas.

Produção industrial da China cresce 5,2% em agosto, mas consumo segue enfraquecido – De acordo com dados divulgados nesta terça-feira (15) pelo Escritório Nacional de Estatísticas da China (NBS), a produção industrial avançou 5,2% em agosto, na comparação anual, acelerando em relação à alta de 4,5% registrada em julho e superando a expectativa de 4,8% do mercado. Apesar do desempenho positivo da indústria, as vendas no varejo cresceram apenas 0,4%, abaixo dos 0,6% registrados no mês anterior, enquanto os investimentos em ativos fixos recuaram 7,2% no acumulado de janeiro a agosto. Os resultados mostram uma recuperação desigual da economia chinesa, com a produção industrial apresentando maior dinamismo, enquanto o consumo doméstico e os investimentos permanecem fragilizados, mantendo os desafios para a sustentação do crescimento econômico do país.

Banco do Japão eleva juros para 1,25% ao ano, maior nível em 31 anos – O Banco do Japão (BoJ) decidiu nesta sexta-feira (18) elevar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 1% para 1,25% ao ano, atingindo o maior patamar desde 1995. A decisão foi aprovada por sete votos a dois, com dois dirigentes defendendo a manutenção dos juros. Durante a coletiva, o presidente da autoridade monetária, Kazuo Ueda, destacou que a inflação subjacente está se aproximando da meta de 2%, indicando uma mudança de postura do banco central, que passa a priorizar a prevenção de novas pressões inflacionárias. Ueda também não descartou aumentos consecutivos ou de maior magnitude, embora tenha ressaltado a importância de agir preventivamente para evitar instabilidades nos mercados financeiros. A decisão representa mais um avanço no processo de normalização da política monetária japonesa, após décadas de juros extremamente baixos, e mantém a atenção dos investidores sobre os próximos movimentos do iene e dos mercados globais.

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